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  Entrevista
Mota Amaral admite candidatura presidencial, mas aguarda
- 13-Mar-2005 - 12:39


O ex-presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, admitiu, em entrevista hoje publicada, uma candidatura à presidência da República, questão que, disse, "está a ser cozinhada em lume brando", mas considera Cavaco Silva como candidato natural do PSD.


"É uma possibilidade que tem sido falada e que nunca rejeitei liminarmente, mas observei sempre com muita cautela os estudos de opinião fiáveis sobre a questão, que nunca deduzi encarar com especial urgência e responsabilidade", disse Mota Amaral em entrevista ao Correio da Manhã.

Admitindo ser candidato se tiver condições, disse que isso "obriga a seguir com muita calma a evolução dos acontecimentos e estar na disposição de tomar as decisões adequadas no momento próprio".

Contudo, reafirma que Cavaco Silva "é o candidato natural do PSD às eleições presidenciais", recordando que tem defendido essa hipótese há vários anos.

Quanto à dissolução do Parlamento, Mota Amaral recordou que se trata de uma prerrogativa do Presidente da República e que a resposta dos eleitores a 20 de Fevereiro veio dar razão ao entendimento que Jorge Sampaio tinha de que a maioria já não correspondia ao sentir da população.

Mota Amaral, que na quinta-feira presidiu pela última vez ao Parlamento, na primeira sessão da X Legislatura, referiu que o seu futuro político imediato é ocupar o lugar de deputado para que foi eleito pelos Açores, tencionando cumprir o seu mandato de quatro anos até ao fim.

"Isso com certeza. Julgo, aliás, que todas as pessoas que se sujeitam a um mandato eleitoral assumiram um compromisso com os eleitores. É preciso respeitar esse compromisso. E devem fazê-lo com o mesmo empenho como quando desempenhei funções idênticas em 2002, quando aqui estive na bancada do PSD, na oposição", acentuou.

Numa entrevista em que faz o balanço de quatro anos à frente da Assembleia da República, Mota Amaral destaca como aspectos positivos a revisão da Constituição e alguns avanços na reforma do sistema política, além da abertura ao exterior, referindo como exemplo trazer jovens ao Parlamento.

Como momento mais penoso da legislatura, destacou o episódio da deslocação do juiz Rui Teixeira ao Parlamento para solicitar o levantamento da imunidade parlamentar do deputado socialista Paulo Pedroso, afirmando que, dada a evolução do processo, "tudo indica que foi uma precipitação do aparelho da Justiça".

"Mas uma coisa é certa: o Parlamento procedeu neste caso concreto de acordo com o que dispõe a Constituição e as leis. Foi o próprio deputado em causa o primeiro a pedir o levantamento de imunidade para poder responder pela acusação que lhe era formulada, reclamando-se desde logo inocente. (Ó) Mas é bom que se saiba que num regime democrático ninguém está acima da lei", comentou.

Considerou ainda que a maioria da população tem uma "visão errada" sobre a actividade do Parlamento quando a classifica de "fraca qualidade", explicando que tal se deve a uma deficiente transposição do trabalho que ali se realiza para a opinião pública, através da Comunicação Social.

"Um trabalho de uma tarde inteira aparece resumido a meia coluna do jornal. Portanto, quem lê pensa que foi só isso. E muitas vezes o que passa é um pormenor anedótico de uma tarde de trabalho", lamentou.


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