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Luanda amordaça
a Imprensa livre

- 13-Mar-2005 - 19:05

A aprovação de uma estratégia pública, por parte do Governo de Luanda, de desenvolvimento da comunicação social em Angola surpreendeu os Jornalistas da Imprensa privada. E não é para menos. Quando qualquer país tem de pôr, ou aceita que esteja, nas mão do Poder o presente e o futuro da Imprensa, o melhor é reconhecer que a democracia e o Estado de Direito ainda são uma miragem. Isto já para não falar das ameaças, veladas ou não, de que estão a ser vítimas os Jornalistas que não dizem o que o MPLA e Eduardo dos Santos querem.

Segundo o Gabinete do ministro Manuel Rabelais, o documento estratégico do Governo analisa o panorama mediático actual e preconiza as acções, formas e meios para melhorar a situação.

Quem não os conhecer que os compre. Nenhum país livre necessita que seja o Estado a dizer, ou mesmo que seja a sugerir, como deve ser a Imprensa. Para isso existem, em sentido lato, a Constituição, as leis ordinárias, o código deontológico da profissão e, é claro, as leis do mercado.

Fora disto, qualquer acção visa silenciar o mais sagrado direito dos Jornalistas: informar. Informar formando, mesmo quando isso não agrada aos detentores do Poder. E se a liberdade não agrada aos que estão no Poder, mesmo nas democracias estabilizadas, o que dizer quando falamos de ditaduras como a que, afinal, existe em Angola?

Que o MPLA e Eduardo dos Santos queiram ter os seus próprios meios de propaganda (não confundir com Jornalismo), é um direito que lhes assiste. Agora querer impor a ditadura, mesmo que embrulhada em papel democrático, aos privados é coisa que nenhum Jornalista poderá aceitar.

Quando o Governo diz que pretende «um maior grau de responsabilidade e profissionalismo quanto ao exercício das suas actividades jornalísticas, indispensável ao fortalecimento da democracia», está a confundir a obra prima do Mestre com a prima do mestre de obras.

A democracia só se fortalece quando se deixa a Imprensa caminhar, cair, voltar a levantar-se pelos seus próprios meios.

orlando@orlandopressroom.com


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