| Pesquisar |
|
|
| Notícias |
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
|
 |
| Canais |
»
»
»
»
»
»
»
»
»
|
 |
Siga-nos no
Receba as nossas Notícias

Quer colocar as Notícias Lusófonas no seu site?
Click Aqui |
|
| Serviços |
»
»
»
»
»
|
|
|
| |
Conversas
no
Café Luso |
|
|
|
|
Entrevista
|
|
«Intolerância ainda pode ser travada antes das eleições»
- 18-Mar-2005 - 18:37
A "intolerância" política em Angola pode ainda ser travada a tempo de se evitar uma situação grave na campanha para as eleições de 2006 se a intervenção dos dirigentes for eficaz, defendeu hoje o vice-presidente da UNITA.
Por Vera Magarreiro
da Agência Lusa
Em entrevista à Agência Lusa, em Lisboa, Ernesto Mulato afirmou que os dirigentes da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) estão preocupados com os casos recentes de confrontos entre apoiantes seus e do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA, no poder), mas confiantes de que o problema será resolvido antes do início da campanha.
"A UNITA já deu o grito de alerta, informou o presidente angolano (José Eduardo dos Santos) e os dirigentes do MPLA", que "reconheceram o problema", afirmou Ernesto Mulato.
O vice-presidente do maior partido da oposição angolana acrescentou que cabe agora aos dirigentes de ambos os partidos sensibilizar os seus apoiantes para a importância da tolerância política na democratização do país.
"É preciso que o passado (de guerra) seja enterrado" para que o país possa "evoluir para a democracia", disse.
"A comunidade internacional também está alertada para estes problemas, o que nos dá alguma confiança de que tudo vai correr bem durante a campanha eleitoral", referiu o responsável.
Desde o início deste mês têm-se registado confrontos entre apoiantes dos dois partidos, tendo o mais grave ocorrido domingo em Mavinga, na província do Cuando Cubango, no leste de Angola, com um balanço final de três dezenas de feridos, muitos em estado grave e os dois partidos a acusarem mutuamente os apoiantes do outro de terem provocado os confrontos.
No início de Março, o presidente da UNITA, Isaías Samakuva, escreveu a Eduardo dos Santos a dar conta dos ataques de que elementos do seu partido estavam a ser alvo e, já esta semana, congratulou-se pelo facto do presidente angolano ter afirmado, na resposta, que "os factos relatados aconselham a agir de forma concertada para apaziguar os ânimos".
Ernesto Mulato está há uma semana em Portugal, onde estabeleceu contactos com várias entidades e partidos políticos com o objectivo de "explicar a situação em Angola, aprender com a experiência portuguesa na construção da democracia e pedir apoio ao processo de democratização angolano, nomeadamente para a realização das eleições".
Neste contexto, o vice-presidente da UNITA encontrou-se hoje com o deputado socialista José Lello, declarando-se satisfeito com o "apoio manifestado ao processo de democratização" de Angola.
Questionado pela Lusa sobre se as relações entre os dois países dependem do partido que está no governo, o dirigente da UNITA respondeu que não, porque a união entre os dois povos está acima da política.
"Portugal tem de olhar para Angola neste momento em que está a entrar na democracia e Angola tem de demonstrar que quer a democracia e estar integrada em África e no mundo", disse. Sobre as grandes propostas da UNITA aos eleitores angolanos, Ernesto Mulato referiu a "justiça social" como uma prioridade, até para "mudar a imagem de Angola no exterior", muitas vezes conotada com a "corrupção".
"Têm que se corrigir os aspectos negativos, descobrir a doença e depois atacar. Muitas pessoas roubam porque têm fome e aceitam ser corrompidas porque não têm nada", sublinhou.
"O funcionamento das instituições também deve melhorar, para evitar situações como a de um doente, que precisa de tratamento urgente, não o recebe, porque não tem dinheiro. Isto é inaceitável", referiu. Ernesto Mulato acrescentou que a política da UNITA é "castigar" os que fazem mal e infringem as leis para que isso "sirva de exemplo aos outros" e seja assim possível "mudar as mentalidades".
Outra das prioridades do partido, caso saia vencedor das eleições de 2006, será "reduzir a burocracia" para incentivar nomeadamente o investimento estrangeiro, "tão necessário ao desenvolvimento do país".
"Muitos empresários desistem de investir em Angola porque a simples criação de uma empresa pode demorar anos, enquanto em Inglaterra basta uma hora", exemplificou.
Sobre a possibilidade de coligações eleitorais entre a UNITA e outros partidos da oposição, o dirigente respondeu que "ainda nada está definido", mas não afastou a hipótese de "surgirem algumas plataformas".
Questionado sobre se a UNITA está disposta a colaborar na elaboração de uma agenda de consenso, proposta pelo MPLA, e que servirá de compromisso em medidas essenciais para o desenvolvimento do país, Ernesto Mulato afirmou que o seu partido já fez uma proposta semelhante.
"Vamos certamente contribuir e depois é uma questão de acertar os pontos e discutir, juntamente com a sociedade civil", disse.
Ernesto Mulato defendeu ainda que Angola só entrará verdadeiramente no caminho da democracia através da "alternância no poder" e que o desenvolvimento do país depende "da coragem política dos dirigentes angolanos".
Acerca da importância destas eleições, o responsável da UNITA foi peremptório: "a História não nos perdoará se perdermos esta oportunidade de democracia, se o ego se sobrepuser às desgraças do povo".

Ver Arquivo
|
|
 |
| |
|
| |
|
|
|
|
|