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Chivukuvuku, Valentim e Cª
- 25-Mar-2005 - 17:12
Jorge Valentim veio a público dizer que o líder da UNITA, Isaías Samakuva, marginalizou alguns dos históricos do partido. Seguiu-se Abel Chivukuvuku. Na calha para igual tomada de posição estarão, calculo, Paulo Lukamba Gato, Alcides Sakala etc. Valentim e Chivukuvuku terão com certeza as suas razões, mesmo que me parece que há razões que a razão não só desconhece como não entende. Uma coisa parece-me, contudo, mais do que certa. Nesta altura do campeonato eleitoral a luta interna na UNITA só terá um vencedor: o MPLA.
Embora me pareça que ao manter fora dos centros de decisão algumas das mais prestigiadas figuras do partido, Samakuva comete um erro, sobretudo eleitoral, de graves consequência, não creio que, ao contrário de Abel Chivukuvuku, Jorge Valentim tenha estofo e moral para exigir o que quer que seja.
Ao virem, nesta altura, dizer o que dizem, estão a mostrar à sociedade que a UNITA, para além de ser uma manta de retalhos, é também o palco onde os seus militantes estão a tentar acertar contas, algumas delas bem antigas e nada dignificantes.
Os angolanos sabem, mesmo que adeptos do MPLA, quem foram os que na UNITA lutaram até ao fim (sendo que muitos morreram pelo caminho) e os que, a troco de mordomias, não só se renderam como traíram os seus irmãos. E, convenhamos, quem trai uma vez é bem capaz de trair um cento.
É evidente que a UNITA tem de fazer contas, seja entre os seus membros, seja com os seus fantasmas. Contudo, os seus mais destacados militantes devem ter a noção (o que não está a acontecer) de que a altura não é a indicada. E não é porque, nesta fase, o adversário está (ou deveria estar) fora do partido.
Agir agora contra a Direcção do partido é, apenas, fornecer ao “inimigo” as “balas” que mesmo todas juntas talvez não cheguem para o derrotar.
Acresce que, como fizera Manuvakola, Valentim e Chivukuvuku parecem só terem encontrado a luta pela verdade quando o poder se escapou noutra direcção. Esquecem-se que, afinal, estão mais uma vez a fazer o jogo do seu adversário, se é que consideram o MPLA o adversário.
Há alturas e locais próprios para discutir a liderança do partido, para discutir quem deve ser o candidato presidencial ou o primeiro-ministro, em caso de vitória da UNITA.
Vir agora para a praça pública dizer o que lhes vem à cabeça, mesmo sendo verdade, não é uma questão de legitimidade política mas, isso sim, de oportunismo político. E todo e qualquer oportunismo tem os dias contados.
orlando@orlandopressroom.com

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