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Estratégia da UNITA baralhou a do MPLA
- 26-Mar-2005 - 12:50
O regime hoje está mais preocupado com a possibilidade da UNITA e do seu presidente se tornarem efectivamente competitivos nas próximas eleições
O tabuleiro político angolano conheceu, recentemente, algumas movimentações. O jogo do Presidente da República parecia ser a gestão da democracia tutelada, para ganhar tempo e construir o cenário mais favorável possível para a sua candidatura, se ele julgar que é mais conveniente tentar um próximo mandato.
Por António Gomes Ferraz
Esse cenário dependeria, entre outros elementos, de três factores:
1- Um ajuste correcto entre timming e regras eleitorais. Aprovaria regras para eleições nem tão livres que possam significar a sua derrota, nem tão manipuladas que pareçam ostensivamente fraudulentas;
2- A obtenção de vantagens competitivas através da recuperação da imagem do seu governo e da montagem de uma máquina clientelista; e
3- Uma estratégia de desgaste dos adversários que os induzisse ao "erro forçado" nas suas iniciativas políticas.
A iniciativa política da UNITA iniciada com a publicação das 10 Teses para a construção da democracia em Angola frustrou exactamente essa última parte da estratégia de jogo do Presidente, obrigando-o a ele e ao seu partido a repensar a sua estratégia. Os sinais emitidos pelo regime, a partir das suas reacções ao novo posicionamento da UNITA, permitem-nos admitir a hipótese de que o regime não sabe hoje qual é a sua estratégia diante desse novo quadro, ou ainda que coabitam dentro dele estratégias distintas.
Os sinais do regime a que nos referimos são os seguintes:
1- Responder às 10 teses na mesma semana, afirmando, com uma mão, que "as eleições eram prioridade", e com a outra tentar ressuscitar a manobra diversionista dos "balões de ensaio", desta vez, com a sua unilateral "Agenda de Consenso."
2- Os actos concertados de intolerância política contra os cidadãos que, no interior do País, tiveram a coragem de se manifestar a favor da UNITA. Incluíram violência física e verbal, privação ilegal dos direitos cívicos, vassalagem política, e demais violações dos direitos humanos. O povo está seguro que tais actos foram planeados, financiados e perpretados pelas estruturas do Partido-estado.
3- As declarações do Deputado Bornito de Sousa no Congresso Pro Pace, afirmando que as eleições legislativas e presidenciais serão feitas em 2006 e 2007;
4- A reunião dos directores de jornais privados com o ministro da comunicação, para debater o novo plano de comunicação social, seguida de uma abrupta publicação das novas directrizes antes mesmo da apresentação de sugestões por parte dos jornalistas;
5- Os recentes ataques feitos na imprensa contra o Presidente da UNITA, feito pelos já conhecidos 'analistas políticos' e outros jornalistas aparentemente "isentos";
6- A publicação, no site AngoNoticias, de uma entrevista antiga da primeira dama na qual ela afirma preferir que JES não continue no poder após as próximas eleições, e de um artigo redigido por um estudante ligado ao MPLA, defendendo a não candidatura do actual Presidente da República;
7- A manifestação pública de um processo de colagem ao regime de membros da direcção da UNITA que, por ambição, incoerência ou suborno, preferiram violar os estatutos do partido e utilizar a praça pública para emitir meras opiniões sobre questões pessoais, alheias à causa do povo e do partido.
Analisando esse conjunto de reacções, uma conclusão nos pareceu evidente: o MPLA acusou o golpe sentido pela movimentação da UNITA. As tentativas de constranger a comitiva da UNITA no interior do país, aterrorizar o povo e furtar-se ao debate substancial das questões eleitorais deixam isso absolutamente evidente. O regime hoje está mais preocupado com a possibilidade da UNITA e do seu presidente se tornarem efectivamente competitivos nas próximas eleições.
Isso, entretanto, não significa que o regime saiba como reagir contra Samakuva e o novo posicionamento da UNITA. Aliás, o episódio dos actos concertados de intolerância política mostra a força do posicionamento estratégico da UNITA: não há como, legitimamente, criticar uma pregação democrática, e muito menos como reagir violentamente a ela. A violência contra o povo, nesse sentido, parece-nos um claro erro de condução estratégica.
Ele vitimiza a UNITA e Samakuva e aumenta as dúvidas sobre as reais intenções democráticas do MPLA. Aliás, o recurso ao suborno, ao clientelismo e à corrupção política dos adversários, confirmam a incapacidade do regime de jogar limpo, o 'fair play' de uma democracia plena, o que também é um indicador de enfraquecimento.
Constatamos também uma intrigante ambiguidade nas reacções do regime. Primeiro, em relação aos próximos passos do jogo. De um lado, a liderança do MPLA fala em consenso partidário sobre as regras eleitorais, e o ministro da comunicação pede sugestão dos directores dos jornais para a nova política de comunicação e o governo edita novas directrizes para a política de comunicação à revelia de qualquer diálogo com os jornalistas.
De outro, Bornito de Sousa declara aleatoriamente que as eleições serão separadas. Dois procedimentos típicos de quem se mostra disposto a continuar a brincar com a democracia.
Dois procedimentos típicos de quem quer mostrar força e disposição para "controlar" a oposição ao regime enquanto engana os parceiros estrangeiros .
A segunda ambiguidade refere-se à própria disposição do Presidente em candidatar-se. A entrevista da primeira dama, e o artigo criticando a permanência de JES publicados no AngoNotícias podem revelar tanto uma estratégia da parte do MPLA para "conduzir JES a uma porta de saída digna", como uma estratégia do próprio JES para gerar um "movimento espontâneo" que peça pela sua continuidade, e comece assim a construir, já, a sua candidatura.
Esses sinais, por si só, não nos permitem deduzir a estratégia do regime, e nos sugerem, de momento, essas duas hipóteses que já citamos. A iniciativa da UNITA atrapalhou o ritmo e a lógica da estratégia anterior do regime, e ele ainda não sabe, com certeza, como se reposicionar. E, na ausência de uma estratégia definitiva, várias "estratégias paralelas" podem começar a estar emergindo, seja dentro do seio do próprio MPLA, seja entre os colaboradores mais próximos de JES. Uma delas, pelo menos, envolve a utilização de alguns barões ou príncipes, que há muito já não têm na UNITA o seu principado.

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