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Sim ao aborto se ele for retroactivo
- 13-Apr-2005 - 12:30
Com a mesma legitimidade com que o Presidente da República portuguesa, Jorge Sampaio, afirmou hoje em Paris ser solidário com as mulheres que são julgadas por terem feito ilegalmente um aborto, também eu digo que – desde logo – só é a favor do aborto quem já nasceu e que, além disso, só estou disposto a dizer sim (para além do que hoje é consagrado na lei) se arranjarem maneira de essa prática ter efeitos retroactivos...
Jorge Sampaio - que visitou hoje o liceu Molière, em Paris, onde há uma centena de alunos de Língua Portuguesa - reagia assim a uma pergunta colocada por uma estudante sobre a actual lei sobre o aborto.
Jessica questionou o Presidente da República sobre se "a actual legislação sobre a interrupção voluntária da gravidez não dava uma imagem retrógrada e hipócrita de Portugal".
"Tenho de ser prudente, mas a minha posição pessoal é conhecida e é favorável a uma evolução da lei", afirmou.
Jorge Sampaio disse ainda que as mulheres devem ser amparadas e apoiadas em momentos difíceis das suas vidas e manifestou-se solidário com as mulheres que estão no banco dos acusados.
"Esta é uma questão em que reagimos com muito confronto e que divide muitas as pessoas", disse ainda Jorge Sampaio, desejando que seja encontrada uma solução equilibrada que não divida o país.
Tal como Sampaio, mas certamente por não terem grandes assuntos para debater, os deputados que vivem à direita defendendo ideias de esquerda (PS, PCP e BE) resolveram dar prioridade ao referendo sobre o aborto.
Porque, quer se queira ou não, só é favor do aborto (exceptuam-se os casos clínicos) quem já nasceu, a verdadeira «ofensa à dignidade das mulheres» é protagonizada por todos aqueles (ou aquelas) que, à revelia dos mais elementares direitos da humanidade, acham ter o direito de decidir sobre a vida de alguém, mesmo que esse alguém seja o próprio filho.
Normalmente os que defendem o sim consideram que o aborto é uma «agressão a valores de civilização». Para mim o que é agressão é querer assassinar um filho. Esses arautos do aborto, aceitam que é crime matar um filho um dia depois de ele sair da barriga da mãe, mas já não acham o mesmo quando ele ainda está lá dentro. Francamente...
Por isso, estou disposto a subscrever a tese de todos os que querem, mais coisa menos coisa, a liberalização do aborto. Ponho, contudo, uma condição: desde que (e quando) seja possível fazer abortos retroactivos.
Alguém saberia a onde iria parar se isso fosse possível?
Orlando@orlandopressroom.com

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