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  Alto Hama

Na república
das bananas
vale a pena
ser criminoso

- 27-Apr-2005 - 17:58

Portugal é cada vez mais uma república das bananas. Os suspeitos pela morte de um inspector da Polícia Judiciária sairam em liberdade não por estarem inocentes mas porque, espantam-se os que ainda não esgotaram a capacidade de espanto, se esgotou o prazo de prisão preventiva. O Tribunal de Instrução Criminal do Porto considerou que tinham sido esgotados os prazos para a prisão preventiva dos arguidos, já condenados em primeira instância, mas que recorreram sucessivamente da condenação, que não transitou em julgado...

Quem é responsável? Ninguém. A culpa vai morrer solteira. Não rolam cabeças. A única certeza é a de que inspector da PJ João Melo, de 29 anos, foi assassinado em 29 Janeiro de 2001, em Carvalhosa, Marco de Canavezes e de que os arguidos andam por aí a apanhar sol e gozar com a nossa cara.

A lei portuguesa considera que uma condenação só tem efeito após o trânsito do acórdão (sentença) em julgado, depois de respostas dos tribunais superiores a eventuais recursos que tenham sido interpostos sobre a condenação do tribunal de primeira instância.

Entretanto, como convém, a Procuradoria-Geral da República abriu um "rigoroso inquérito" para apurar eventuais responsabilidades de magistrados do Ministério Público no expirar do prazo da prisão preventiva.

Entretanto, como convém, o secretário-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses defende a revisão da lei dos recursos.

Entretanto, como convém, vai ficar tudo na mesma. Ou não fosse Portugal um país conhecido pelos seus bandos costumes. Afinal a culpa é do D. Afonso Henriques.

O crime compensa? Quero acreditar que não, embora os exemplos mostrem o contrário.

orlando@orlandopressroom.com


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