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  Cabo Verde
Reunião do Comité Central do PAIGC adiada para 4 e 5 de Maio
- 28-Apr-2005 - 16:00


A reunião de emergência do Comité Central do PAIGC, com início previsto para hoje, foi adiada para quarta e quinta-feira da próxima semana (04 e 05 de Maio), disse à Agência Lusa o líder do partido.


Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro da Guiné-Bissau e presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), adiantou que o adiamento foi sobretudo motivado pelas festividades do 1º de Maio, altura em que a população aproveita o feriado para sair para o interior.

A convocação da reunião dos mais de 300 membros do Comité Central do PAIGC, principal órgão entre congressos do partido que sustenta o executivo, foi feita a 15 deste mês por Carlos Gomes Júnior que, na ocasião, indicou à Lusa que o encontro se destina a analisar o comportamento de vários dirigentes partidários.

Na altura, tal como hoje, Carlos Gomes Júnior não afirmou explicitamente que a reunião se destina a expulsar os dirigentes em causa, sublinhando que essa decisão cabe à direcção do partido.

No entanto, lembrou que estão em causa as atitudes que há praticamente um ano têm sido tomadas por três altos dirigentes do antigo partido único, entre eles o 1º vice-presidente do PAIGC, Aristides Gomes, bem como o líder parlamentar, Cipriano Cassamá.

Contrariamente aos procedimentos do PAIGC, as divergências tornaram-se públicas desde que Aristides Gomes, há um ano, não aceitou ser membro do governo de Carlos Gomes Júnior saído das legislativas de Março de 2004.

As diferenças de opinião entre Carlos Gomes Júnior e Aristides Gomes, que têm protagonizado sucessivos episódios de confrontação pública, agravaram-se há três semanas, durante e depois da polémica deslocação a Bissau do ex-presidente João Bernardo "Nino" Vieira, após seis anos de exílio em Portugal.

Na ocasião, Aristides Gomes, Cipriano Cassamá e Hélder Proença, este último destacada figura do regime de "Nino" Vieira e actual membro da Comissão Permanente do PAIGC, exigiram inicialmente a demissão do líder do partido para, mais tarde, reivindicarem apenas a convocação de um congresso extraordinário.

A "guerra de palavras" entre as duas alas teve o pico mais alto a 13 deste mês, quando Carlos Gomes Júnior, numa reunião com a juventude e com a associação de mulheres do PAIGC, teceu duras críticas àqueles três dirigentes.

Sobre Aristides Gomes, o líder do PAIGC disse que, ao ser eleito presidente no congresso de 2002, o aceitou como "número dois" apenas "em nome da reconciliação e da reestruturação do partido".

"Esta direcção (do PAIGC) foi-me imposta e aceitei Aristides Gomes como 1º vice-presidente, porque era uma pessoa que, "a priori", iria ajudar o partido a afirmar-se. Hoje, deduzo que não passa afinal de uma cobra venenosa e dou a mão à palmatória", afirmou na altura.

Nas declarações hoje à Lusa, Carlos Gomes Júnior reafirmou que, sobre esta questão, nada mais tem a dizer, indicando, contudo, que os dados estão lançados e que cabe à direcção do PAIGC tomar uma posição.

O líder do PAIGC sublinhou, por outro lado, que Malam Bacai Sanhá "é e continuará a ser" o candidato do partido às presidenciais de 19 de Junho próximo, minimizando o apoio que alguns dirigentes têm dispensado a "Nino" Vieira, cuja candidatura já foi entregue no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

"Não temos nada a ver com a candidatura dele. ®Nino¯ Vieira vai pelo ®Nino¯ Vieira e o PAIGC é o PAIGC e tem o seu próprio candidato", garantiu, assegurando que é essa a posição que vai reafirmar na reunião do Comité Central e que Malam Bacai Sanhá contará com o apoio de "todas as estruturas" do partido.


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