As Notícias do Mundo Lusófono
 Notícias de Angola Notícias do Brasil Notícias de Cabo Verde Notícias da Guiné-Bissau Notícias de Moçambique Notícias de Portugal Notícias de São Tomé e Príncipe Notícias de Timor Leste
Ir para a página inicial de Noticias Lusofonas desde 1997 director: Norberto Hossi
 Pesquisar
 
          em   
 Notícias

 » Angola
 » Brasil

 » Cabo Verde
 » Guiné-Bissau
 » Moçambique
 » Portugal
 » S. Tomé e Príncipe
 » Timor Leste
 » Comunidades
 » CPLP
 
Informação Empresarial
Anuncie no Notícias Lusófonas e divulgue a sua Empresa em toda a Comunidade Lusófona
 Canais


 » Manchete
 » Opinião
 » Entrevistas
 » Cultura
 » Desporto
 » Comunicados
 » Coluna do Leitor
 » Bocas Lusófonas
 » Lusófias
 » Alto Hama

 » Ser Europeu

Siga-nos no
Siga o Notícias Lusófonas no Twitter
Receba as nossas Notícias


Quer colocar as Notícias Lusófonas no seu site?
Click Aqui
Add to Google
 Serviços

 » Classificados
 » Meteorologia
 » Postais Virtuais
 » Correio

 » Índice de Negócios
 
Venha tomar um cafezinho connoscoConversas
no
Café Luso
 
  Cultura
«Queremos acabar
com os pobres
e não com os ricos»

- 1-Sep-2005 - 21:54


Em entrevista ao Notícias Lusófonas, o Secretário-Geral da UNITA afirma também que em Angola há uma má governação que arrasta consigo uma corrupção interminável

O Secretário-Geral do Galo Negro defende que o seu partido não pode tolerar, de forma nenhuma, a corrupção que paira sobre o País e afirma que em Angola há uma má governação que arrasta consigo uma corrupção interminável, mas, garante, não é por isso que os novos- ricos devem recear que a UNITA ganhe eleições. Contudo, Mário Vatuva garante que a filosofia do seu partido é a de combater a pobreza sem desapossar os novos-ricos de tudo aquilo que “amealharam” durante o tempo do partido único. Nesta entrevista, Vatuva analisa também o estado da Comunicação Social angolana, a vida da UNITA pós-Savimbi e as aparentes vantagens que o MPLA e o seu presidente levam em relação aos demais partidos políticos no que às eleições diz respeito.


Por Jorge Eurico

Notícias Lusófonas – No processo que vai levar Angola até às eleições, admite que há actos legais mas também ilegítimos?

Mário Vasco Miguel Vatuva – Admito na medida em que é do conhecimento que há uma certa caducidade de um dos nossos órgãos. Os deputados foram eleitos em 1992 para um período de quatro anos. O processo de eleição do Presidente da República nunca foi concluído. Mas seja como for, acredito que o vazio é mais perigoso. É por esta razão que se busca de uma forma definitiva de legalizar e legitimar todas essas instituições. Até lá os seus actos devem ser considerados legítimos. Agora, sobre as questões de legalidade, os juristas podem pronunciar-se melhor. Mas desde que haja consenso no sentido de que os órgãos ora existentes devem conduzir o processo até à altura das próximas eleições, devem ser aceites e seguidos.

NL – Então aceita que o Parlamento é ilegítimo?

MVMV – Admito que é caduco, mas enquanto não houver uma renovação de mandatos não há outro órgão, nem ninguém, que possa ter melhor legitimidade do que aqueles que foram eleitos.

NL – José Eduardo dos Santos é presidente do MPLA, da FESA, do Conselho de Ministros e tem o seu rosto estampado na moeda nacional. Não acha que parte para as próximas eleições em vantagem em relação aos demais candidatos?

MVMV – É uma vantagem aparente. Porque a nossa democracia é débil e precisa de ser aprofundada. Se assim não dosse não se poderia de forma alguma permitir que poderes variadíssimos ficassem concentrados num só homem. E aparentemente José Eduardo dos Santos leva essa vantagem. Mas acredito que o povo angolano está atento. Ninguém melhor do que o povo poderá julgá-lo nas próximas eleições.

NL – Não aceita que essas eleições, apesar de ainda não terem tido lugar, já estão ganhas por ele?

MVMV – De forma nenhuma! Se tivermos que considerar que alguém já é vitorioso, não valeria a pena que houvesse outros candidatos. Deixaríamos a situação em status quo! Apesar da vantagem aparente que leva, não penso que José Eduardo dos Santos será um nome inalterável como vencedor das próximas eleições.

NL – Caso o seu partido ganhe as eleições, tem quadros suficientes para preencher a administração do Estado?

MVMV – A UNITA tem de fazer uma governação responsável com todos os quadros angolanos. E onde não tivermos quadros, teremos de os formar rapidamente e pedir à Comunidade Internacional para preencher a lacuna que Angola tem. Esta não é preocupação da UNITA. Nós vamos governar Angola com os quadros existentes no País seja qual for a sua filiação partidária.

NL – Falou em governação responsável. O que é isso?

MVMV – Governar é servir o povo durante um determinado período. Isto implica seriedade, honestidade, prestação de contas e ter sempre presente que o povo é o objectivo principal de uma governação. Se nos desviarmos deste objectivo caímos imediatamente numa situação de irresponsabilidade e de má governação.

NL – É o que acontece presentemente?

MVMV – O que há até agora em Angola é uma má governação que arrasta consigo uma corrupção interminável.

NL – A UNITA não tem uma quota de responsabilidade nesta má governação?

MVMV – Absolutamente nenhuma! Posso encontrar um quadro que tendo sido ou seja da UNITA é corrupto, que se possa pautar por actos de governação menos digno. Mas isso é responsabilidade dele. A orientação da UNITA é de que não pode tolerar de forma nenhuma a corrupção que paira sobre este País.

NL – Quando fala de governação não responsável esquece-se que a UNITA faz parte do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN)?

MVMV – Não podemos assumir responsabilidades absolutamente nenhumas dessa governação pelo facto de UNITA nunca ter sido chamada, uma vez que fosse, para poder participar dos programas que têm orientado a governação. Quem define o programa de governo é o MPLA. Se o MPLA fosse buscar subsídios de outras forças (políticas e da Sociedade Civil), certamente que teria um programa mais enriquecido. Mas se ignora pura e simplesmente todas essas opiniões e sugestões certamente terá que assumir sozinho aquilo que decide.

NL – Quem garante que a UNITA no lugar do MPLA não faria o mesmo, ou pior?

MVMV – É só dar uma oportunidade para a UNITA poder governar. Depois disso é que se poderá julgar a nossa capacidade. Se recuarmos no tempo, veremos que houve áreas que a UNITA teve que governar com poucos meios e muitas dificuldades. Mas deu provas de que pode montar um sistema de saúde e de educação aceitável. Podemos dar um contributo significativo e útil a este País. É por esta razão que perseguimos esta causa pela qual nos batemos já há quase 40 anos.

NL – Está a dizer que o programa de Governo da UNITA é melhor do que o do MPLA?

MVMV – É diferente e acredito que vai melhorar a situação do nosso País!


«O MPLA VAI JOGAR COM O FACTOR MATERIAL PARA ALICIAR O POVO»


NL – Se o MPLA perder as próximas eleições acha que também se vai rebelar como o fez a UNITA em 1992?

MVMV – Seria bom que isso não acontecesse e nunca viesse a acontecer! Aliás, a UNITA não se rebelou, rejeitou os resultados das eleições! A rebelião foi consequência de actos da nossa rejeição em relação aos resultados das eleições de 1992.

NL – Nas próximas eleições acha que o povo votará com a consciência ou a pensar no estômago?

MVMV – Penso que o povo angolano vai votar com a consciência. O povo angolano vive da barriga, mas vota com consciência.

NL – Vamos admitir que a maioria vote a pensar no estômago. Acha que dessa forma votaria na UNITA?

MVMV – A maioria é que vive na miséria apesar de algumas acções de aliciamento, não acredito que o MPLA tenha capacidade para tirar o povo angolano da miséria em que se encontra. Mesmo que o povo vote a pensar no estômago, o MPLA estaria a perder. Pode haver um ou outro caso, numa ou outra aldeia onde sejam oferecidos um saco de arroz, de fuba ou ainda uma bicicleta. Mas isso nunca irá melhorar a situação real da Nação inteira. Por essa razão, o MPLA leva uma desvantagem bastante significativa.

NL – O que é que lhe faz falar com essa convicção toda?

MVMV – A realidade! É verdade que o MPLA não vai jogar apenas com o factor material para aliciar o povo. É preciso pensar que a consciência se forma. O partido que apresentar um programa melhor é o que irá vencer as eleições. Se por um lado os meios materiais têm a sua influência, o fundamental é o programa de futuro para os angolanos. E aquele que apresentar o melhor vencerá.

NL – Como é que a UNITA pensa fazer frente ao MPLA na campanha eleitoral?

MVMV – De várias formas! Considero que o MPLA é como uma lebre que pretende desafiar um cágado para uma corrida. Aqueles que querem partir primeiro podem não ser os primeiros a chegar. As eleições são um desafio em que vai ganhar quem usar a inteligência.


“OS NOTICIÁRIOS DA RNA E DA TPA TRAZEM UMA CARGA PARTIDÁRIA EXCESSIVA”


NL – É voz corrente que enquanto o MPLA mantiver sob seu controlo a TPA, a RNA e o Jornal de Angola ganhará sempre as eleições. Isso não inquieta a UNITA?

MVMV – Inquieta bastante! E é por essa razão que a defendemos equilíbrios necessários para que todos tenham oportunidades iguais para poderem difundir as suas mensagens. A situação que vivemos presentemente é horrível! Quando uma simples manifestação de aldeia, que acontece com o MPLA, lhe é dada oportunidade na TPA, RNA ou no Jornal de Angola em tempos que são o dobro ou o triplo de outras acções de maior vulto, de dimensão nacional, promovidas por outros partidos, então estamos na mesma pista, mas com oportunidades diferentes. É preciso buscar os equilíbrios necessários para que a corrida seja feita com as mesmas leis do jogo.

NL – De que forma pode provar que o MPLA dita a linha editorial dos órgãos de Comunicação Social?

MVMV – Primeiro, basta definir o tempo de antena que os órgãos de Comunicação Social proporcionam para cada um dos variadíssimos partidos existentes em Angola. Segundo, os conteúdos dos noticiários trazem uma carga excessiva de conotação político-partidária!

NL – Está a falar dos noticiários…

MVMV – Dos noticiários da Rádio Nacional de Angola (RNA) e da Televisão Pública de Angola (TPA). Senão vejamos! Quando se emite de forma exagerada o aniversário do Presidente José Eduardo dos Santos, eu perguntar-me-ia: é o dia de anos do cidadão? É o aniversário do Presidente da República ou do Presidente do MPLA? É tudo uma autêntica confusão! Depois não se sabe se tais publicidades são pagas pela FESA, pelo comité provincial do MPLA ou pelo Governo provincial de Luanda! Quer dizer, está tudo dentro de um cozinhado que depois fica difícil separar as águas. Então é tudo isto que acaba por nos confundir. E das 24 horas de emissão da RNA, é só termos em atenção que os acontecimentos que são considerados de importância por esta estação emissora são os protagonizados pelo MPLA. A TPA vai fazendo algumas simulações, mas também é suficientemente nítido que aquilo que a célula dita é o que vai para o ar.

NL – Neste domínio e numa só palavra, como é que estamos?

MVMV – Estamos mal, precisamos rapidamente de rectificar a situação!


«HÁ MOMENTOS DE INTOLERÂNCIA EM QUE A PRADARIA QUASE PEGA FOGO»


NL – A UNITA tem alguma esperança de recuperar o eleitorado que perdeu em províncias como Huambo, Bié, Malange e outras?

MVMV – Penso que sim! Este é um esforço que precisa de ser feito. Nós vivemos situações extremamente difíceis decorrentes da morte do Dr. Jonas Savimbi. Entramos numa situação totalmente nova. O partido procurou rapidamente implantar as suas estruturas. Tivemos dificuldades que nos foram criadas pelas estruturas do MPLA com variadíssimas acções de intimidação no início, mas que depois evoluíram para acções violentas e de intolerância insuportáveis com algumas oscilações de período a período. Há momentos em que há uma tolerância aparente, há outros em que a pradaria quase que pega fogo! Temos travado uma batalha no sentido de podermos assentar definitivamente as nossas estruturas para a partir delas podermos desenvolver mensagens que podemos levar ao conhecimento de todos os angolanos. Compreendemos que há limitações em todo este processo!

NL – Limitações decorrentes de quê?

MVMV – Limitações da nossa parte e de ordem administrativa e financeira. E com elas há vários factores que ficam condicionados. Tudo isto pesa na balança de quem quer fazer política. No entanto, estamos convencidos de que temos ainda um ano à nossa frente e é tempo suficiente que devemos aproveitar. Nós chegaremos à meta com índices que nos são extremamente favoráveis.

NL – A vida da UNITA pós-Savimbi não tem sido fácil.

MVMV – Perder um líder com a experiência e a dimensão do Dr. Jonas Savimbi não é fácil e não acredito que poderemos substitui-lo como tal num curto espaço de tempo. Apesar de tudo, a UNITA conseguiu algo que considero de extrema importância, é (apesar de termos perdido um líder e toda a nossa capacidade financeira) o de fazer da UNITA uma só. Apesar de todas as situações que ainda podem ocorrer, hoje não há ninguém que se possa pronunciar por uma UNITA que não seja a UNITA cujo líder é o presidente Isaías Samakuva!

NL – Qual é o legado que Jonas Savimbi deixou para os militantes e simpatizantes da UNITA?

MVMV – É sobretudo a causa que a UNITA busca todos os dias, o que significa Angola para os angolanos. O Dr. Savimbi deixou variadíssimos ensinamentos alguns compilados em livros, outros em simples brochuras, outros sintetizados apenas em citações, mas é todo esse conjunto de ensinamentos que orientam o nosso pensamento. Este é o maior legado, o resto são complementares!

NL – A UNITA ainda chora pela morte de Jonas Savimbi?

MVMV – Foi um angolano, um companheiro, um irmão e sobretudo um grande líder! É por essa razão que ele está sempre nos nossos corações.


“SAMAKUVA ESTÁ A FAZER-SE LÍDER E É CANDIDATO ÀS PRESIDENCIAIS”


NL – Entre Abel Chivukuvuku e Isaías Samakuva: quem se vai candidatar às eleições presidenciais pela UNITA?

MVMV – Isaías Henriques Ngola Samakuva é o candidato da UNITA às eleições presidenciais. Esta é uma questão que a nível dos órgãos de decisão está ultrapassada! Aliás, o companheiro Abel Chivukuvuku assim o reconhece.

NL – Isaías Samakuva é líder ou chefe da UNITA?

MVMV – Ele foi escolhido para ser o presidente do partido. Assim sendo, ele assume essa responsabilidade e a liderança com o seu tempo. É no exercício da sua actividade como presidente do partido que acabará por afirmar a sua liderança no seio da UNITA.

NL – Então admite que ainda não é líder?

MVMV – Está a fazer-se um líder!

NL – Como explica a existência de uma só direcção mas de duas vozes na UNITA?

MVMV – É mau, mas é salutar! Um partido não se faz em torno de um homem, mas de uma causa. E é por essa causa que devemos trabalhar no sentido de que a causa traga para si o maior número de militantes, amigos e simpatizantes. O que pode haver é alguém dizer: eu estou na causa mas não concordo com Isaías Samakuva. Mas isto é natural! Porque Samakuva afinal resulta de quê? Resulta da ausência de uma liderança e a UNITA propõe-se ir à busca dessa liderança através do voto dos seus militantes num novo líder. Certamente que nem todos os militantes da UNITA votaram em Samakuva, mas sim a maioria esmagadora que participaram no IX Congresso. Agora, as minorias dissonantes têm o dever de seguir o líder ora eleito para os 4 anos até à realização do X Congresso. No meio de tudo isso, todo o militante é livre de expressar a sua opinião. Mas na hora da tomada de decisões a minoria tem de se submeter à maioria.

NL – Quando é que a UNITA será mais acutilante no que respeita ao recrutamento de jovens, sobretudo universitários, para ingressar nas suas fileiras?

MVMV – Há determinadas situações que ainda não nos permitem fazer isso.

NL – Como por exemplo!

MVMV – Há quadros do professorado privado que viram ameaçadas as suas funções por se terem manifestado abertamente serem da UNITA! De forma que gostaria de dizer que o trabalho está a ser feito por um órgão específico, que é a JURA e através de outros órgãos. A UNITA está nas faculdades, nas escolas, associações e igrejas. Pese embora ainda muitos jovens ainda terem medo de se manifestarem abertamente.

NL – Porquê?

MVMV- Porque o nosso País está por demais partidarizado! O cidadão acima de tudo tem que se sentir angolano para depois buscar uma conotação. Mesmo no campo religioso também é assim. A conotação inicial não é se o Jorge Eurico é católico, protestante ou maiosta. A primeira conotação é de que ele é, acima de tudo, um angolano. É acima de tudo um quadro, um jornalista. O Vatuva não precisa de ser primeiramente identificado como sendo um dirigente da UNITA. Deve ser visto como um quadro angolano! É assim que gostaríamos que Angola fosse. É este o esforço que temos feito! É necessário que a filiação partidária seja um elemento complementar e não o fundamento da sua existência como angolano. Os companheiros do MPLA têm que entender que ser técnico deste ou daquele ramo é acima de tudo uma mais-valia para Angola! A conotação política que venha depois! Enquanto não tivermos essa consciência certamente que estaremos a travar o desenvolvimento do nosso País. Porque vários quadros potenciais sentem-se coarctados a participarem do desenvolvimento por serem conotados com este ou aquele partido.

NL – A base eleitoral da UNITA depois de 1992 mudou?

MVMV – Houve variadíssimas situações que ocorreram de 1992 a 2005. Por isso temos que convir que houve alterações! É verdade que pode haver referências lá onde a UNITA teve o maior ou menor número de votos. A UNITA precisa de fazer um levantamento real da situação presente e dali poder gizar uma estratégia para poder expandir o seu eleitorado. A estratégia da UNITA visa fazer com que no dia do voto a sua mensagem chegue a maior parte dos cidadãos para que cada um possa votar em consciência.

NL – Caso a UNITA ganhe as eleições, estaria em condições de convidar técnicos do MPLA para preencher o Governo?

MVMV – A UNITA nunca poderia governar Angola com base numa política de exclusão! A UNITA precisa de todos os angolanos, independentemente da sua filiação partidária. Para nós, o mais importante é o angolano. Angola tem espaço suficiente para poder acomodar todos, incluindo os quadros hoje discriminados por serem desta ou daquela filiação partidária. Mesmo os actuais ministros são úteis para a governação do futuro. E é assim que a UNITA pensa Angola.

NL – Há quem diga que com a UNITA no poder haveria logo no dia seguinte caça às bruxas. É verdade?

MVMV– Os nossos adversários políticos procuram passar a nossa mensagem no sentido de poderem ganhar alguma coisa. Mas acreditem os angolanos que Angola só será Angola se beneficiar do contributo de todos os seus filhos porque para além deles ainda precisaremos do contributo da Comunidade Internacional. Há um certo receio daqueles que são ricos, que venham a ser espoliados numa situação futura de governação da UNITA. Antes pelo contrário, a UNITA busca combater a pobreza mas nunca empobrecendo os ricos. É preciso potenciar os ricos porque esses é que dão empregos para que amanhã aqueles que buscam emprego possam amealhar também algumas economias mas com melhores condições de vida. Ricos ou pobres; funcionários ou militares; policias ou desempregados; quitandeiras ou abandonados nas ruas contem a com a UNITA no sentido de podermos trazer uma melhoria de vida.

NL – Até que ponto a UNITA é um partido racista e tribalista?

MVMV – A UNITA nunca foi um partido racista nem tribalista. Apesar de o presidente-fundador, Dr. Jonas Malheiro Savimbi, ser de origem Ovimbundo, a UNITA não nasceu nem se desenvolveu em território Ovimbundo. Durante o período colonial, a maior parte dos militantes e militares da UNITA era tchokwé e nguanguelas por ter sido nessa região onde o partido estava implantado. O período que foi 1974/5 a 1991, com a assinatura dos Acordos de Bicesse, houve uma situação de ordem sociológica que acabou por mudar aquilo que eram as fileiras da UNITA, mas por razões óbvias. A UNITA ficou melhor implantada nas províncias do Huambo, do Bié e do Kwanza-Sul onde a maioria da população é de origem Ovimbundo. Mas é mesmo durante os anos 80 que a UNITA se expandiu para o Norte, tendo atingido as áreas das províncias do Uige, do Zaire, do Kwanza-Norte, de Malange, o que trouxe para a UNITA uma outra configuração, um número de militantes de origem Bakongo. No período de 1992 para cá, a UNITA esteve em Luanda, no Kwanza-Norte e em Malange e trouxemos para as nossas fileiras indivíduos de origem kimbundo. Tudo isso é razão suficiente para darmos provas de que a UNITA não é tribalista. Acredito que a configuração actual da UNITA vai mudar dentro de 50 anos. E nessa altura será difícil compreender se o maior número de militantes da UNITA é Ovimbundos ou de uma outra tribo. Quanto ao racismo que é imputado à UNITA, importa compreender que em 1974/5 já tínhamos sido acusados de estar a beneficiar os brancos só por causa de uma filosofia definida naquela altura de que todo o branco que tivesse nascido em Portugal (ou noutras paragens do mundo), desde que se identificasse com Angola, deveria adquirir automaticamente a nacionalidade angolana. Isto ficou definido a partir da pena do Dr. Jonas Savimbi. Ficou definido aquilo que seria a identificação do angolano depois dos Acordos de Alvor. Simplesmente a UNITA busca para Angola uma verdadeira autenticidade cultural, que hoje (eu sinto) também se tornou preocupação de outros partidos. Há angolanos totalmente desaculturados, e que pensam que o facto de a UNITA se arreigar a este sentido de valorização de cultura significa racismo, estão errados! Nós na UNITA somos brancos, negros e mestiços!


Marque este Artigo nos Marcadores Sociais Lusófonos




Ver Arquivo


 
   
 


 Ligações

 Jornais Comunidades
 
         
  Copyright © 2009 Notícias Lusófonas - A Lusofonia aqui em primeira mão | Sobre Nós | Anunciar | Contacte-nos

 edição Portugal em Linha - o portal da Comunidade Lusófona Criação e Alojamento de Sites Algarve por NOVAimagem