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  Entrevista

Governo admite filha de Sampaio

- 29-Jun-2006 - 15:09

«Quem não sabe que as câmaras são os melhores centros de emprego do país para quem tiver familiares, amigos ou conhecidos nas fileiras políticas e partidárias dos Executivos Camararios? Quem ja foi a entrevistas de emprego (como eu) para esses locais, sabe bem do que eu estou a falar...», comenta Inês Aroso no webjornal.blogspot.com a propósito da notícia, ou não notícia, da escolha da filha de Jorge Sampaio para adjunta do ministro Silva Pereira, onde vai ganhar a módica quantia bruta de 2801 euros, fora ajudas de custo.

Por Orlando Castro

«Não consigo perceber o que há de notícia neste texto que tem por título «Ministro da Presidência nomeia como adjunta filha de ex-Presidente Jorge Sampaio», escreve Madalena Oliveira, especialista da Universidade do Minho, a propósito do texto publicado no jornal Público.

Do ponto de vista teórico, sobretudo quando eleborado por quem tem emprego, o texto pode ser considerado como uma “não notícia”. No entanto, como diz Inês Aroso (no que é, certamente, um comentário partilhado por milhares de portugueses) é notícia porque mostra a importância de não só ser sério como também de o parecer.

Ou seja, ninguém me convence que a filiação propriamente dita, bem como a filiação partidária, não contou para a escolha de Silva Pereira. Não se trata de legalidade mas, isso sim, de moralidade. E as notícias não retratam apenas ilegalidades mas também imoralidades.

Numa altura em que tudo é «simplex», sobretudo se for mais «PSimplex», este Governo mostra quase todos os dias que, afinal, a tradição continua a ser o que era e que, como ontem, os "jobs" são para os "boys". Os génios são menos importantes do que os néscios desde que estes tenham cartão do partido.

E se esta é uma realidade, seja nas admissões a nível do Governo, das câmaras municipais, dos institutos, das direcções-gerais, das fundações ou das empresas onde o Estado manda, passa a ser notícia quer os teóricos queiram ou não.

Pena é que a comunicação social portuguesa, neste caso, não procure também dar notícias dos licenciados que sobrevivem como empregados de balcão e que, numa estratégia de claro suicídio, se recusam a dizer nas entrevistas de emprego em que partido são filiados.

orlando@orlandopressroom.com
29.06.2006


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