Anuncie no Noticias Lusofonas e promova a sua empresa em todo o mundo de lingua portuguesa
           As Notícias do Mundo Lusófono
 Notícias de Angola Notícias do Brasil Notícias de Cabo Verde Notícias da Guiné-Bissau Notícias de Moçambique Notícias de Portugal Notícias de São Tomé e Príncipe Notícias de Timor Leste
Ir para a página inicial de Noticias Lusofonas desde 1997 toda a lusofonia aqui
 Pesquisar
 
          em   
 Notícias

 » Angola
 » Brasil

 » Cabo Verde
 » Guiné-Bissau
 » Moçambique
 » Portugal
 » S. Tomé e Príncipe
 » Timor Leste
 » Comunidades
 » CPLP
 
Informação Empresarial
Anuncie no Notícias Lusófonas e divulgue a sua Empresa em toda a Comunidade Lusófona
 Canais


 » Manchete
 » Opinião
 » Entrevistas
 » Comunicados
 » Coluna do Leitor
 » Bocas Lusófonas
 » Lusófias
 » Alto Hama

 » Ser Europeu

Siga-nos no
Siga o Notícias Lusófonas no Twitter
Receba as nossas Notícias


Quer colocar as Notícias Lusófonas no seu site?
Click Aqui
Add to Google
 Serviços

 » Classificados
 » Meteorologia
 » Postais Virtuais
 » Correio

 » Índice de Negócios
 
Venha tomar um cafezinho connoscoConversas
no
Café Luso
 
  Entrevista
«Eleições essenciais para afastar sistema corrupto», afirma Sakala
- 29-Sep-2006 - 19:34


O líder parlamentar da UNITA, principal partido da oposição em Angola, defendeu hoje a urgência de eleições para acabar com um sistema caracterizado pela corrupção, mas manifestou o receio de que possam ser adiadas por vários anos.


Por Vera Magarreiro
da Agência Lusa

Em entrevista à Agência Lusa em Lisboa, Alcides Sakala disse que não acredita que as eleições se realizem em 2007, como previsto, "porque o registo eleitoral só vai começar em Novembro próximo e demora ainda alguns meses".

Além disso, "há já informações a circular em Angola de que as eleições poderão apenas realizar-se após o CAN 2010 (Campeonato Africano das Nações)", evento que Angola vai organizar e para o qual é necessário construir várias infra-estruturas.

"Acho que não há muita vontade política da parte do Governo de Angola. Já estamos habituados a esta dança de adiamentos constantes", acrescentou.

Segundo o líder da bancada parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), as eleições são essenciais para "dar início a um novo ciclo".

"Ganhe quem ganhar, o objectivo é legitimar um poder que não é renovado desde 1992. Tornaria mais fortes as instituições do país, daria credibilidade ao próprio sistema junto dos angolanos e da comunidade internacional e permitiria reforçar as próprias reformas", defendeu.

Actualmente, de acordo com Sakala, existe uma "indefinição num sistema em que os índices de corrupção são elevados de acordo com instituições internacionais credíveis e se regista um aumento da intolerância política em todo o país" devido à "ausência de uma agenda de reconciliação nacional".

"Angola tem uma grande oportunidade agora, de criar os fundamentos para que as futuras gerações do país possam tirar partido das riquezas, que podem permitir reformas em áreas de desenvolvimento como a saúde e a educação", considerou.

Questionado sobre a evolução do país desde o fim da guerra, em Abril de 2002, o dirigente da UNITA referiu que "fizeram-se algumas coisas, mas poder-se-ia ter feito muito mais se o sistema saísse da lógica de acções políticas com perspectivas eleitoralistas".

"Não há uma agenda política, o que leva a acreditar que a reconstrução está ligada a uma perspectiva eleitoralista", indicou, dando como exemplo um novo hospital construído em Luanda pelos chineses em tempo recorde "mas que funciona apenas a 20 por cento porque as máquinas têm as instruções em chinês".

"Não há muita seriedade no que se está a fazer, havendo apenas a preocupação de mostrar obra feita. Só a alternância pode exigir mais transparência dos actos de governação e isso não é possível sem eleições", disse.

Sobre se a UNITA está preparada para as eleições e para derrotar o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), Alcides Sakala considera que sim, justificando que o seu partido pretende "mais abertura, mais democracia e empenho das pessoas em trabalharem para o país".

Neste sentido, defendeu a necessidade de "estabelecer um pacto de convergência nacional para que qualquer futuro Governo tenha balizadas as tarefas que pode e não pode fazer, para evitar levantar fantasmas do passado, o que normalmente cria instabilidade".

Quanto à postura da população angolana em relação à indefinição da data das eleições, Sakala considerou que há uma Sdescredibilização da política porque as pessoas pensam que os políticos roubam, são corruptos e não se interessam pela vida das populações".

"A maioria da população está mais preocupada em lutar pela sobrevivência do dia-a-dia, apesar de haver alguns sectores mais esclarecidos que já clamam por mudanças", referiu.

No caso de um eventual "duelo" eleitoral entre o actual Presidente, José Eduardo dos Santos, e o presidente da UNITA, Isaías Samakuva, o dirigente considera que o segundo "tem mais possibilidades" porque não tem atrás de si "o desempenho de uma má governação".

"A UNITA vem com ideais novas, ao contrário do MPLA. Tudo o que eles tentarem fazer pela mudança ficará apenas na teoria. A UNITA tem vantagens do ponto de vista político porque quer trabalhar com todos os angolanos", afirmou.

Sakala lançou esta semana, em Lisboa, o seu livro "Memórias de um Guerrilheiro" em que fala do dia-a-dia nas matas nos últimos quatro anos da guerra civil angolana.

O dirigente quis deixar um registo daquilo por que passou e que fica "para as futuras gerações que queiram entender melhor o passado para melhor preparar o futuro".

O autor relata no seu livro a situação complicada que a UNITA viveu nos últimos anos de guerra graças às sanções impostas pela comunidade internacional.

Questionado sobre se a guerra teria continuado se Savimbi não tivesse sido morto em combate, a 22 de Fevereiro de 2002, Sakala diz que não sabe, lembrando que "a estratégia estava traçada no plano internacional e era preciso fragilizar a UNITA do ponto de vista militar".

Apesar dos erros cometidos, considera, no entanto, que, com a guerra, o objectivo principal do partido foi conseguido: "livrar Angola do domínio comunista e colocar o país no caminho da democracia e do multipartidarismo".

Sakala aponta ainda a forma como Portugal procedeu à descolonização como o principal factor que levou à guerra civil.

"Portugal tinha em 1975 duas opções: ceder à influência soviética ou ajudar Angola numa transição melhor. A opção melhor para Portugal, na altura, foi dar mais atenção aos problemas da metrópole em detrimento da questão africana e pura e simplesmente abandonou Angola", referiu.

Reconhece, todavia, que, na altura, o contexto internacional era mais complicado.

"Na altura da independência, Angola já estava dividida, em chamas. Estavam lançadas as labaredas da crise que se agravou com os interesses das duas grandes potências da altura no âmbito da guerra- fria. Teria sido melhor, se todos os actores tivessem tido uma visão mais realista do que Angola devia ser", disse.

Instado a definir a personalidade de Jonas Savimbi, Sakala destaca que o líder histórico da UNITA era "um homem eminentemente político" que enveredou pela luta armada "para que o movimento saísse da situação de exclusão", mas tinha também "muita sensibilidade diplomática".

"Savimbi foi o pai da democracia em Angola, o pai do multipartidarismo, apesar de muita gente não gostar de ouvir isto", disse.

Sakala recorda também que nos últimos tempos da guerra Savimbi já falava na sucessão, dado que "não viveria eternamente". O líder histórico chegou a falar-lhe num nome provável, que Sakala se recusa a revelar. "Talvez um dia, quando estiver quase a morrer".

Questionado sobre o seu contributo para o futuro de Angola, Alcides Sakala assume que tem "muitas ambições", que passam por acabar a licenciatura em relações internacionais, fazer um mestrado e depois dedicar-se ao ensino para uma "educação sem chavões do passado, que permita criar um espaço de abertura e não de exclusão para que os angolanos se reencontrem".

Sakala pretende no entanto, manter-se na política e não afasta a possibilidade de vir a candidatar-se a cargos de alto nível.


Marque este Artigo nos Marcadores Sociais Lusófonos




Ver Arquivo


 
   
 


 Ligações

 Jornais Comunidades
 
 
         
  Copyright © 2009 Notícias Lusófonas - A Lusofonia aqui em primeira mão | Sobre Nós | Anunciar | Contacte-nos

 edição Portugal em Linha - o portal da Comunidade Lusófona Construção de Sites Algarve por NOVAimagem