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  Cultura
Não existe crise no Teatro
- ela é só uma invenção...

- 17-May-2003 - 9:04


Congresso da Associação Nacional de Teatro de Amadores decorre hoje e amanhã em Serpa


Hoje e amanhã todos os caminhos do Teatro amador vão dar a Serpa, Portugal. É o Congresso da Associação Nacional de Teatro de Amadores (ANTA). Cândido Xavier, um dos organizadores, afirmou ao Notícias Lusófonas que «não partilha da opinião de que o Teatro em Portugal e, particularmente, o Teatro de Amadores esteja em crise ou que alguma vez tenha estado». Diz mesmo: «Não existe crise no Teatro!»



Por: Jorge Castro


«A crise é uma invenção da sociedade curiosa. E, como tal, ela já provou do seu próprio veneno, porque ela própria está em crise. Não em crise económica ­ essa é uma falsa questão tantas vezes evocada para desculpar muitas outras coisas... ­ mas em crise cultural», afirma Cândido Xavier.

Actor e dirigente associativo, Cândido Xavier recorda que «Garcia Lorca disse um dia que o Teatro é o barómetro de um país. De acordo com essa afirmação, escuso-me a tecer qualquer comentário sobre a situação do Teatro (de Amadores) no nosso canto à beira mar plantado, antes
de me munir com uma capa e um guarda-chuva, pois o panorama é de um
território coberto por centros de baixas pressões, daqueles que nos roubam o sol e anunciam tempestade...»

«Por esse Mundo fora é extremamente gratificante ver como as gerações mais novas são, desde cedo, incentivadas a "consumir" cultura, através de
manifestações da mais diversa ordem, legitimando desse modo a afirmação de Lorca», salienta, acrescentando que, «todavia, não tenho uma visão miserabilista do nosso panorama cultural... Não é só "lá fora" que temos bons exemplos daquilo que deve ser uma sociedade
educada para o Teatro (de Amadores).»

Um exemplo: «Quando um dia me desloquei a Pombal de Ansiães, em Trás-os-Montes, com um espectáculo de teatro de amadores, não podia acreditar que 160 pessoas, de uma aldeia com 200 habitantes, iriam assistir efusivamente ao mesmo».

«Atrevo-me então deduzir que um dos principais problemas do Teatro (de
Amadores) será a educação do público. Mas o público, como vimos, está em crise! Completamente obcecado pelos "valores" que lhe são transmitidos via ecrãs de plasma, insiste na rejeição de verdadeiros valores culturais, onde se enquadra, inequivocamente, o Teatro (de Amadores)», explicita Cândido Xavier.

E continua : «A sociedade evoluiu (?) para a cultura do sofá, do mundo virtual, e nada está a ser feito para despertar nos jovens o interesse por actividades que não impliquem bola, relvados, teclados, joysticks ou consolas... (à palavra "consolar" sempre dei um outro significado, bem mais humano...). Quando tudo (ou quase tudo) parece ser feito, cada vez mais, de forma virtual, o Teatro (de Amadores), ao privilegiar a relação homem a homem, reforça a sua essência genuína de rito, despertando no público interesses que não se resumem apenas ao "fast-food" cultural».

Para Cândido Xavier, «no Teatro (de Amadores) fala-se e vive-se emoções. Que são compartilhadas com o público. Sem cortes ou montagens e com improvisos, muitos improvisos! Em directo, ao vivo e a cores! No Teatro (de Amadores), ainda nos lembramos que somos humanos, animais criadores, capazes de sentir e pensar em tantas coisas, que não seja apenas a terrível escolha de qual botão do telecomando havemos de carregar».

«A sociedade está em crise cultural. E o público encarna essa própria crise. Vive-a apaixonadamente, qual protagonista de novela mexicana...
Mas o Teatro está lá. Sempre esteve e sempre estará. Enquanto houver homens, enquanto houver Mundo. De portas abertas e actores no palco. Para todos e para cada um. Mas sem público, não podemos fazer Teatro... Precisamos que uns quantos resistentes nos digam, pela sua modesta presença, que não é vão o esforço de tantos ensaios, de tantas horas de coragem. E, se não for pedir muito, levem convosco um aplauso... Um simples aplauso vale para recompensar o nosso trabalho. Um Homem de Teatro vale sempre um aplauso. No mínimo, porque está lá, à sua espera, porque dá o seu contributo, por mais pequeno que possa ser ou parecer», diz este dirigente da ANTA.

E recorda a fábula do colibri, «quando na floresta onde habitava começou um grande incêndio. Enquanto todos os animais davam em debandada, o colibri voava vezes sem conta até ao ribeiro. Apanhava uma gota de água com o seu bico e ia deitá-la sobre as chamas, numa tentativa incansável de apagar o fogo. Ao passar por ele, todos gritavam para que fugisse, mas ele continuava a sua árdua tarefa em salvar o bosque. Por fim, o leão que seguia na rectaguarda de todos, intimou-o a abandonar o local, pois o seu esforço era em vão e até ridículo. Indignado, mas sem interromper a sua iniciativa, o colibri respondeu: eu estou a fazer a minha parte...»

Eis porque, segundo Cândido Xavier, «na vida tudo tem dois lados. O bom e o mau, a noite e o dia, o norte e o sul, a terra e o ar, a água e o fogo... Se até aqui ponderei que sem público não pode haver Teatro, também quero deixar claro que sem Teatro não pode haver público. Podemos e devemos reflectir sobre a qualidade do Teatro de Amadores que temos e queremos oferecer ao público. Não podemos criticar os outros sem termos a humildade de nos criticarmos a nós próprios».

É por isso que afirma que «o Teatro de Amadores desempenha um papel essencial na vida das localidades, ao promover a vitalidade cultural e mesmo o turismo local. Urge criar condições que visem facilitar a circulação de espectáculos, promover acções de informação e sensibilização do público para essa forma de arte».

E acrescenta que «urge também, e muito, formar um Teatro de Amadores capaz de servir de forma digna esse público que queremos sensibilizado e atento. Urge apostar na qualidade dos nossos espectáculos, através da formação dos homens e mulheres que insistem em dedicar, por amor, muito das suas vidas a essa arte a que chamaram Teatro».

Cândido Xavier conclui: «Só assim poderemos ter público. E só depois poderemos ter Teatro».



Programa geral do Congresso da ANTA


Sábado, 17 de Maio
9.00 -9.30 - Recepção dos participantes e entrega de documentação

9.30 - 12.30 - Oficinas; 12.30 -14.00 – Almoço; 14.00 -17.00 – Oficinas; 17.30 -19.30 - Cerimónia de Abertura e início do debate; 20.00 -21.30 – Jantar; 22.00 - Espectáculo Teatral

Domingo, 18 de Maio
9.30 -12.00 - Debate: A formação no Teatro de Amadores; 12.00 -12.30 –Conclusões; 12.30 -13.00 - Encerramento do 2º Congresso e anúncio do Congresso 2004

OFICINA - ESCRITA INVENTIVA
Monitor: Manuel Ramos Costa

PROGRAMA
A oficina irá constar de um trabalho prático, de técnicas simples, com
recurso a indutores básicos. Partindo destes indutores, os participantes
irão descobrir uma multiplicidade de ideias para “escreverem” os seus
guiões. Se houver tempo, será proposto que façam, a partir destes, cada qual o seu monólogo, para serem apresentados no final do Congresso.

OFICINA - EXPRESSÃO CORPORAL E CRIAÇÃO TEATRAL

Monitora: Gisela Cañamero (Companhia de Teatro Arte Pública - Beja)

PROGRAMA
- quais os conceitos mais importantes a reter em tão curto espaço de tempo? - quais as técnicas imprescindíveis? - qual a filosofia orientadora de uma prática que se pretende esteja presente no dia-a dia?

OFICINA - IMPROVISAÇÃO
Monitor: Porfírio Lopes

PROGRAMA
1. Apresentação, 2. Jogos de desinibição e integração, 3. Noções de espaço cénico e marcações, 4. Breves tópicos da história da improvisação teatral, 5. Improvisação e espontaneidade do actor (improvisação à volta dos sentidos, e construção de climas emocionais), 6. O sentido e o valor sonoro das palavras (exercícios) - (signos verbais/ signos gestuais), 7. A lógica das intenções. Situação/ Objectivos/ Atitude (improvisação a partir de pequeno texto), 8. Improvisação sobre tempo/ ritmo

OFICINA - CARACTERIZAÇÃO
Monitora: Aurora Gaia

PROGRAMA
1. Estojo de caracterização: produtos normais de utilização,
conservação e higiene, 2. Aplicação e manuseamento dos produtos, 3. Conhecimento dos produtos básicos para homem ou mulher,
em função dos diferentes meios e dos diferentes trabalhos, 4. Estudo das personagens, envelhecimento, estados de alma, condição social e doença
5. Fantasias: palhaços, máscaras venezianas, fantasias ricas, 6. Materiais especiais: perucas e postiços, deformações, contusões, feridas, 7. Limites da caracterização

OFICINA - CENOGRAFIA
Monitor: Moura Pinheiro

PROGRAMA
1. A função da cenografia, 2. Como partir para uma cenografia (os primeiros passos)

Foto: Montagem NL

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