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  Entrevista
Forças Armadas de Cabinda reivindam ataque a cidadão português
- 7-Mar-2008 - 12:50


As Forças Armadas de Cabinda (FAC) reivindicaram hoje em declarações à Agência Lusa o ataque segunda-feira contra um cidadão português que trabalha no enclave, sublinhando que dispararão contra qualquer cidadão estrangeiro que labore no território.


Entrevistado pela Lusa num contacto telefónico para o enclave, Estanislau Miguel Boma, chefe do Estado-Maior do braço armado das FLEC (Forças de Libertação do Enclave de Cabinda), sublinhou que o ataque foi feito na sequência dos avisos lançados há cerca de duas semanas aos trabalhadores estrangeiros em Cabinda para não ajudarem a economia de Angola.

"Quem disparou foram as FAC e vamos neutralizar tudo o que sustente a economia angolana", disse o chefe do Estado-Maior à Lusa.

Estanislau Miguel Boma afirmou que o exemplo do ataque ao cidadão português pode replicar-se em relação a qualquer outro trabalhador estrangeiro em Cabinda. "Não haverá qualquer excepção", garantiu.

"Não estamos contra os estrangeiros, podem vir trabalhar para Cabinda quando houver paz. Estamos contra a dominação e tudo o que continuar a sustentar a política de dominação tem de ser abatido", disse o chefe do Estado-Maior.

Sublinhando que a "guerra ainda continua" no enclave, Estanislau Miguel Boma acusa o governo de Luanda de mentir quando afirma perante a comunidade internacional que "já não há conflitos em Cabinda".

"Vamos continuar a fazer guerra até que os angolanos se sintam responsáveis pelo problema de Cabinda e aceitem conversar e chegar a um consenso", garantiu.

Um trabalhador português foi alvejado, segunda-feira, na província angolana de Cabinda, enquanto conduzia uma viatura, encontrando-se fora de perigo no hospital militar em Cabinda.

Fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades confirmou à Agência Lusa que um cidadão português, empregado na empresa de construção civil Tecnovia-Sociedade de Empreitadas S.A., foi alvejado num braço e numa perna.

Este incidente ocorreu depois de um cidadão brasileiro, em Dezembro do passado ano, ter morrido e de duas viaturas terem sido queimadas, na sequência de um ataque armado, na província angolana de Cabinda.


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