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  Entrevista
Polícia assegura inversão no aumento da criminalidade
- 29-Jul-2008 - 20:09


A criminalidade em Moçambique está a inverter a tendência de subida registada nas últimas semanas, marcadas por sucessivos crimes violentos com aparato mediático, sobretudo na capital, assegurou hoje o Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM).


Em conferência de imprensa, o porta-voz da PRM, Pedro Cossa, indicou que, na semana passada, foram registados no país 223 crimes, uma descida de 21 por cento face aos sete dias anteriores.

A maior parte dos casos criminais, adiantou, foi contra a propriedade, num total de 197, refere o mesmo levantamento, que indica ainda a detenção de mais de 400 indivíduos em conexão com os delitos registados nesse período, incluindo estrangeiros.

Ainda na semana entre 19 e 25 deste mês, os acidentes de viação mataram 27 pessoas em todo o país, provocando ainda 45 feridos graves e 84 ligeiros, aponta o balanço semanal do Comando-Geral da PRM.

No início de Julho, a PRM expressou a sua preocupação com o registo de crimes violentos registados em Maputo, com assaltos a estabelecimentos comerciais e à mão armada.

Alguns dias antes, na sequência da escalada da criminalidade, o presidente do recém-inaugurado MOZABANCO, o economista Prakash Ratilal, foi alvo de um assalto na baixa da cidade, que deu origem a uma perseguição policial e terminou com a morte de um dos três assaltantes e ferimentos em transeuntes.

Poucos dias depois, uma cidadã holandesa, cunhada de um reputado empresário moçambicano, foi sequestrada enquanto praticava desporto na marginal de Maputo, tendo sido libertada pouco depois, a mais de 45 quilómetros de Maputo, mediante o pagamento de um resgate de 25 mil dólares (cerca de 15.625 euros).

Na semana passada, em entrevista ao semanário "Savana", o antigo chefe do Departamento Nacional de Instrução e Investigação Criminal de Moçambique, Domingos Maíta, afirmou que a polícia moçambicana "está nas mãos de criminosos", acusando o Governo de "pôr de lado a segurança".

"Eu disse, na altura, que os gangues estavam a dirigir a polícia a partir de fora da instituição, mas com a cumplicidade de polícias dentro da corporação. Já havia sinais na altura", observou Domingos Maíta, acrescentando que os criminosos são antecipadamente informados por membros da polícia sobre as operações da corporação contra quadrilhas de assaltantes.

"Isso só é possível quando há gangues que capturaram a corporação policial", frisou.

Em 2007, registaram-se em Moçamibique 41.902 casos de criminalidade, contra 36.257 do ano anterior, um aumento de 5.645 crimes comparativamente a 2006, de acordo com dados recentemente divulgados no Parlamento pelo Procurador-Geral da República (PGR) de Moçambique, Augusto Paulino, durante a apresentação do seu relatório anual.

Segundo o magistrado, a cidade e província de Maputo "continuam a registar os maiores índices de crimes violentos", tendo havido uma subida dos crimes contra as pessoas em 28 por cento e 18 por cento, respectivamente.

Em 2007, a cidade de Maputo registou uma subida acentuada de 2.129 casos de delitos contra a ordem e tranquilidade públicas, contra 302 casos do mesmo género em 2006.

As províncias de Niassa (norte) e Manica (centro) foram, entretanto, as que registaram no ano transacto os índices mais baixos de crimes, com 3 e 4 por cento cada.


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