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  Entrevista
Quando os "entes" se tornam "dementes": o Ensino do Português no Estrangeiro
- 27-Jun-2003 - 12:18

Ontem, dia 26 de Junho, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, foi o convidado principal do programa da RTP-i "linha directa", tendo como moderador Luís Amorim. Como convidados estavam ainda presentes a jornalista da RDP, Paula Machado, e o Deputado do P.S., Carlos Luís.


Paula de Lemos

No dito programa muito se falou de vários problemas das comunidades portuguesas no mundo e também eu teria colocado algumas questões por demais pertinentes, quiçá escaldantes (embora as venha a repetir há mais de três anos), se tivesse conseguido ser atendida, pois as duas linhas telefónicas estavam constantemente interrompidas, o que demonstra à evidência a quantidade de pessoas no estrangeiro, que gostariam de ver respondidas as suas questões. E aqui vão as minhas, infelizmente por esta via, pois tenho verdadeiramente pena de não ver o rosto, nem a reacção de tão ilustres convidados.

Tanto se fala, e com inteira razão, da contagem do tempo de serviço dos militares, o que, aliás, só demonstra como Portugal agradece àqueles que o defendem e que por ele lutam. Num país minimamente civilizado essa questão já estaria resolvida há muito, e isto por muito "polémicos" ou "complicados" (como dizia o Secretário de Estado no dito programa) que os dossiers sejam. Em Portugal é tudo "polémico" ou "muito complicado", o que é sempre um bom pretexto para que os ânimos se exaltem mas nada se modifique.

E também outras questões estariam resolvidas, como a contagem do tempo de serviço dos Leitores e "Assistentes" e demais "entes" que trabalham na divulgação e na dignificação da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas no estrangeiro, ou seja, os que dependem directamente do Instituto Camões/MNE.

Porque esta questão é um verdadeiro escândalo nacional, senão vejamos: como podem todos estes "entes" trabalhar no estrangeiro, representarem Portugal no estrangeiro sem segurança social (uma pequena-grande vitória apenas conseguida para alguns há um ano e tal)? Sem contagem de tempo de serviço? Sem direito a reforma? Sem direito a nada???? Que legislação tem o Instituto Camões/MNE? Que regras são estas onde só existem deveres e se ocultam todos e quaisquer direitos?

Como se podem substituir os Leitores – professores profissionalizados, com títulos académicos reconhecidos e com experiência de ensino — por jovens "Assistentes", sem experiência nenhuma, sem títulos, sem formação adequada no ensino da Língua Portuguesa em geral e de PLE em particular?

Sim, porque só em Portugal é que uma licenciatura dá direito ao título de "Dr", pois na Europa a Licenciatura não é nada do ponto de vista universitário, o que interessa são os mestrados e, sobretudo, os doutoramentos e para esses, sim, há títulos que conduzem ao reconhecimento e à "integração"!

E muito se falou neste programa na dita "integração": como se querem integrar os ditos "Assistentes", se eles são enviados para os países sem quaisquer conhecimentos linguísticos da língua falada nesse mesmo país?!!.. Como podem esses "Assistentes" leccionar disciplinas obrigatórias da Filologia Portuguesa no estrangeiro, como as disciplinas de Tradução? Como podem eles ensinar os alunos a traduzirem textos de português para alemão/francês/inglês, etc. e vice-versa? Como são esses "Assistentes" tratados pelos departamentos e colegas da universidade? São tratados "abaixo de cão" — até porque os bichos são muito bem tratados no estrangeiro, não são abandonados nas férias como em Portugal —, ninguém os respeita, procuram fazer deles secretários, escravos para todo o serviço, ninguém lhes pergunta a opinião para nada, são os "coitadinhos" do sistema que todos vão explorando, a começar pelo próprio sistema nacional (parece normal que estes "Assistentes" recebam 649 Euros de ordenado no estrangeiro?!...)!

O que é isso de "integração"?

Integração é exactamente o contrário do que se tem vindo a fazer com o Ensino do Português no Estrangeiro! "Integrar" o Português na Europa e no Mundo não é colocá-lo em caixinhas fechadas como o são, na maioria das vezes, os ditos Centros de Língua que muitos teimam em espalhar pelo mundo! "Integrar" não é isolar, não é incentivar a política do "Getto", colocando os portugueses muito penteadinhos e arranjadinhos numa sala fechada, onde na maior parte das vezes ninguém põe os pés, pois as aulas são dadas nas salas da Universidade (pelo menos na maior parte dos casos da Europa)!

Estar "integrado" significa ter a segurança dada por uma aprendizagem adequada para o que se está a fazer, isto é, sentir-se competente! Estar "integrado" é ter os mesmos direitos de todos os outros colegas que trabalham numa mesma instituição! Estar "integrado" significa ter direito a assistência médica e às regalias a que qualquer trabalhador do século XXI tem legitimamente direito (contagem de tempo de serviço, reforma)! Estar "integrado" significa ter a capacidade de comunicar, de falar a língua do país onde se está a leccionar! Estar "integrado" significa participar nas actividades culturais que esse país proporciona ou de que ele necessita (colaboração em jornais, com outras instituições portuguesas regionais, etc.)! Estar "integrado" significa respeitar e ser-se respeitado e não constantemente humilhado e ofendido, a começar pela própria Nação para a qual se trabalha!

Não compreenderão as instituições portuguesas, que lidam com coisas tão graves — e de consequências extremamente duradouras — como o Ensino da Língua, da Cultura e da Literatura Portuguesas, que isto é uma falta de respeito para com os jovens (e ainda inocentes, embora por pouco tempo) licenciados? Uma falta de respeito para com as Universidades Estrangeiras que os acolhem? Uma falta de respeito para com os alunos, os estudantes universitários que querem, de facto, aprender Português?! Uma falta de respeito para com os verdadeiros profissionais da Língua, Cultura e Literatura Portuguesas, aqueles que dedicaram a sua vida e os seus estudos à divulgação dos valores de uma Nação que lhes é tão ingrata?!! E, por fim, uma falta de respeito para com todos os cidadãos portugueses, os contribuintes, pois é o seu dinheiro, é o nosso dinheiro que anda a ser gasto por esse mundo, sem que lhes seja dada qualquer justificação?!... Porque razão têm todas estas instituições tanta impunidade, uma impunidade similar à dos deuses do Olimpo?!!!! Ninguém percebe porque é que entra "A" e sai "B", porque é que cada vez que se muda o Governo muda metade do país, o que, é evidente, só pode causar instabilidade económica e financeira, enfim, ninguém percebe nada e poucos se esforçam por tentar perceber o que é incompreensível!

Falava, ainda, o Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas na "paixão que o Senhor Primeiro Ministro tem pelos Portugueses que estão no Estrangeiro" (sic).

"Paixão"?!!! Só se for no sentido do sofrimento e humilhação que precederam a morte de Cristo, entendendo-se que todos estes portugueses de terceira classe, os "portugueses-de-bagageira", são os descendentes directos daquele!!!! E lá que eles são crucificados, lá isso são!!! Se, de facto, existe qualquer "paixão" positiva pelos portugueses no estrangeiro, então que se exija, de uma vez por todas, uma legislação clara e límpida no que concerne aos concursos de professores e leitores, um, "diploma legal que crie uma estrutura" (sic), como se dizia no dito programa televisivo!

Há quantos anos aguardamos o tão famigerado Estatuto dos Leitores?!!!! Há quantos anos???? Eu própria conheci cinco Presidentes do Instituto Camões, e não conto com a actual Presidente, que não tenho o prazer de conhecer, e nenhum deles criou a dita "estrutura", o dito "diploma legal", ou o que se lhe quiser chamar, pois é tudo tão "polémico", tão "difícil", tão "complicado" e, digo eu, tão desnecessário e inconveniente às instituições que, assim, vão fazendo o que querem, fazendo e desfazendo protocolos, alargando e reduzindo Leitorados, Centros de Língua, etc. sem terem de dar justificações a ninguém!

Em Janeiro alguns Deputados, por causa de várias queixas sobre estes assuntos dirigidas ao Parlamento, exigiram esclarecimentos sobre estas questões do português no estrangeiro e foi-lhes dito que em Abril haveria uma proposta de Estatuto, a fim de que esta pudesse ser discutida. Estamos em Junho e vejo hoje a entrevista com a Senhora Presidente do IC, Prof. Dra. M. José Stock, no JL de 25 de Junho de 2003, onde se diz que o dito "foi entregue à tutela"! No comments. Esperemos que a "tutela" tenha a hombridade de o discutir com os sindicatos, com o público e com a AR!...

Compreendo que haja falta de dinheiro, que a "contenção" seja a palavra-chave da ordem do dia. Então que se reveja a hierarquia de cada instituição (para que servem muitos dos Vices que nem sequer têm poder de decisão na ausência de um "chefe-mor"???), que se reduza o pessoal administrativo (em que país é que há mais gente a trabalhar nas "sedes" do que gente espalhada pelo mundo???!!), que se reduzam as viagens dos "chefes" (e refiro-me a todos os "chefes" de muitas e variadas instituições, aos "chefes" que deveriam dar o exemplo de "contenção" nacional e não andarem a pavonear-se pelo mundo em viagens incontáveis em classe executiva e em carros reluzentes e luxuosos), que se façam estudos com especialistas sérios e independentes (se possível recrutados sem qualquer interferência da instituição em causa), a fim de se investir em universidades onde exista a Filologia Portuguesa (muito desse trabalho pode ser hoje feito através da Internet, isto é, não são necessários nem viagens, nem gastos desnecessários), que se encerrem lugares, sim, onde esta não exista e onde apenas sejam feitos "Cursos de Português como Opção"!

Mas não é substituindo mão-de-obra especializada por outra bem mais barata que se divulgará melhor a Língua, a Cultura e a Literatura Portuguesas, muito antes pelo contrário!

Há que garantir não só a competência, mas, também, a própria dignidade humana, quanto mais não seja por dever moral! A palavra de ordem deveria ser: Que se privilegie a qualidade e não a quantidade!

Acredito que a Senhora Presidente do IC tenha tido "10 meses de um trabalho muito solitário" (sic - JL), quase tenho pena de que ela não seja "Assistente" do dito (sempre estaria mais acompanhada e sempre teria colegas mais solidários), não só porque as instituições têm destas coisas, e quanto mais alto é o cargo, mais só se está (o que me provoca uma mágoa indescritível), como até porque os aviões andam, como se sabe, quase todos vazios (por isso estou há um mês em lista de espera para obter um bilhete) e viajar hoje, com esta coisa dos vírus e dos terroristas é obra... o que até ficou bem claro no dito programa televisivo no que respeita aos "perigos" que há que evitar quando se é Primeiro-Ministro.

Deveria haver, nestas coisas da política, o mesmo que se faz para os filmes: um "duplo" que corresse os riscos para que os heróis tivessem a fama.

Muito haveria a dizer sobre esta coisa dos "perigos" e das "solidões" institucionais (não nos esqueçamos de que só é eleito quem quer ser eleito e, se quem o quis ser, não pesou prós e contras, então é um ingénuo puro e simples e nem merece o lugar que tem), já para não citar a entrevista no já referido JL (que me mereceria muitos, mas muitos outros comentários).

E, meu caro leitor, repare que nem falei aqui dos trabalhadores consulares, que trabalham, também eles, nas mesmas, senão em mil vezes piores condições das acima descritas, sendo eles os verdadeiros escravos do sistema, dependentes da bondade ou da megalomania dos seus "chefes" e das "estruturas" que os (não) apoiam! Também não falei da miséria dos Consulados, dos Consulados fechados, das manifestações de tantos portugueses contra as decisões "estatais" lá "pelo Continente", das Embaixadas, das suas pobrezas, das suas riquezas, dos muitos problemas que as atormentam, ou de outras instituições virtualmente existentes e na prática ausentes!

É que isto é "muito polémico", é mesmo muito, mas mesmo "muito complicado" e o medo de falar é mais do que muito!!!!!! Sempre há algumas vantagens em estar fora de Portugal, quanto mais não seja a de dizer o que se pensa!

Dizia-me um amigo há pouco tempo a propósito destas questões: "é este um Estado de Direito? Ou deveremos utilizar antes o feminino e passar a denominá-lo um Estado de Direita"???

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