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  Entrevista
«RENAMO ser origem de ataque a Simango é especulação infantil»
- 10-Jun-2009 - 16:03


A RENAMO, o principal partido da oposição moçambicana, considerou hoje “especulação infantil” a acusação de que deu ordens a homens armados para matarem Daviz Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), expulso daquele partido em 2008.


Segundo relatos do próprio Daviz Simango à imprensa, homens armados a mando do líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, tentaram matá-lo terça-feira, quando se preparava para um comício na cidade de Nacala-Porto, província de Nampula, norte de Moçambique.

Na sequência da confusão que se gerou devido à acção dos supostos homens armados da RENAMO, um polícia ficou ferido. Um outro agente da polícia ficou sem a sua arma, mais tarde recuperada na residência onde se encontra hospedado Afonso Dhlakama, presidente da RENAMO, em Nacala-Porto, de acordo com informações avançadas pela polícia.

A viatura do líder do MDM, Daviz Simango, segundo relatos da imprensa, ficou parcialmente destruída nas escaramuças. A tribuna a partir da qual Daviz Simango iria falar foi vandalizada.

Reagindo hoje às acusações de que a RENAMO está por detrás da pretensa tentativa de homicídio contra Daviz Simango, o porta-voz do partido, Fernando Mazanga, considerou a imputação “uma especulação infantil” e que se trata de “uma estratégia do engenheiro Daviz Simango de se fazer de vítima”.

“A RENAMO é um partido de paz e pacifista. É um partido que lutou pela democracia e acredita na democracia. Demarca-se da violência, ainda que não concorde com a postura dos seus adversários”, afirmou Fernando Mazanga, em entrevista à Agência Lusa.

“Os guardas do presidente Afonso Dhlakama são homens treinados e disciplinados. Se fosse para matar alguém, não falhariam, de certeza”, referiu Fernando Mazanga à Lusa.

A segurança de Afonso Dhlakama é constituída por elementos da antiga guerrilha da RENAMO, envolvidos na guerra civil de 16 anos contra o Governo da FRELIMO, partido no poder. O conflito cessou em 1992, ao abrigo do Acordo Geral de Paz, assinado nesse ano em Roma.

Fernando Mazanga acusou ainda Daviz Simango de tentar fazer da RENAMO, uma “machamba”, (campo agrícola), supostamente por aliciar membros desta força política para o MDM, uma postura que “provoca revolta em muitos membros do partido de Afonso Dhlakama”.

“Isoladamente, alguns membros da RENAMO podem tentar retaliar contra Daviz Simango, devido à sua falta de ética política. Ele alicia membros da RENAMO para se filiarem no MDM”, declarou ainda Mazanga.

Daviz Simango entrou em colisão com Afonso Dhlakama depois de se ter candidatado como independente à presidência do município da Beira, contra a decisão do partido, que avançou para as eleições autárquicas com o candidato Manuel Pereira.

Daviz Simango, que acabou expulso da RENAMO, ganhou a eleição na Beira, tornando-se no primeiro autarca independente em Moçambique. No início deste ano, fundou, com vários ex-militantes da RENAMO, o MDM e pretende concorrer às presidenciais deste ano, contra Afonso Dhlakama e Armando Guebuza, actual chefe de Estado moçambicano.


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