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  Entrevista
Malangatana: «Quero deixar um contributo» na Academia de Ciências de Lisboa
- 1-Nov-2009 - 15:20


O artista moçambicano Malangatana está empenhado em “deixar um contributo” como membro da Academia de Ciências de Lisboa, edifício que lhe provocou “alegria e temor” como sentiu em criança, quando passava à noite pelas florestas de Moçambique.


“A minha contribuição será de ideias e propostas”, disse o pintor de 73 anos numa entrevista à Lusa, poucas semanas depois de ter sido nomeado membro da instituição, na Classe de Letras, à qual “nunca” sonhou pertencer.

Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, Moçambique, a 06 de Junho de 1936, onde chegou a frequentar a escola primária e mais tarde, em Maputo, os primeiros anos da Escola Comercial.

Foi pastor, aprendiz de medicina tradicional, empregado do clube da elite colonial da então Lourenço Marques, antes de se tornar artista profissional, nos anos 1960, e ter a sua obra artística conhecida internacionalmente. “É uma homenagem não só a mim, mas também a África”, considerou o artista.

Pretende “retribuir” esta homenagem com uma “reflexão sobre o que deve ser feito nas áreas do ensino e das letras”, inspirado na experiência de apoio ao desenvolvimento que tem realizado em Moçambique e a colaboração com a UNICEF (agência da Organização das Nações Unidas para a Infância).

Malangatana foi uma das personalidades lusófonas que no dia 8 de Outubro foram acolhidas como membros da Academia, em conjunto com os escritores Germano de Almeida, de Cabo Verde, Pepetela, de Angola, e o economista Carlos Lopes, da Guiné-Bissau. “Sabemos que por ali passaram grandes humanistas e sábios das áreas das ciências, literatura. Foi um momento muito comovente”, comentou o artista cujas obras estão dispersas por colecções particulares e públicas não só em África, mas também na Europa, Ásia e Américas.

O artista falou nas emoções que sentiu no decorrer da cerimónia simbólica, na Academia, e que lhe recordaram a infância: “Senti o mesmo quando era menino e passava à noite por grandes florestas [em Moçambique], onde nunca se sabe o que vai acontecer, o que vai aparecer”. “Quando me mostraram as salas, cada uma com a sua história, senti um sorriso e um temor ao mesmo tempo”, descreveu, acrescentando que se interrogava também sobre o que poderia fazer com “os confrades, pessoas carregadas de um saber e de um sentido de responsabilidade, não só em relação ao país como ao mundo”.

Fonte: Público


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