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  CPLP
Uma semana depois, golpe de Estado é dado adquirido pela diáspora
- 20-Sep-2003 - 23:29

Uma semana depois do golpe de Estado na Guiné-Bissau a diáspora guineense reuniu-se em Lisboa para ouvir o seu embaixador em Portugal, o mesmo de há uma semana atrás, apelar a "trabalho em vez de baralho" e o representante da CPLP prometer empenho no apoio ao país.


"Vemos com muita satisfação que o diálogo prossegue e uma solução está a ser concentrada" em Bissau, disse hoje o brasileiro Augusto de Medicis, secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), na sessão inaugural do primeiro encontro mundial de guineenses na diáspora.

O encontro, que começou hoje em Lisboa, ocorre "por mera coincidência" uma semana depois de "mais um" golpe de Estado na Guiné- Bissau, que depôs o presidente Kumba Ialá, disse na mesma sessão Mário Cabral, coordenador da comissão executiva da Guineaspora, organização que promove o evento a decorrer até quarta-feira no auditório da Universidade Lusíada.

Tanto mais que, uma semana depois do golpe, o secretário executivo da CPLP, Augusto de Medicis, não fez já os votos de contida condenação expressos pelos países lusófonos no própria dia em que Kumba Ialá foi deposto, verificando antes "com muita satisfação, que o diálogo prossegue e uma solução está a ser concertada" em Bissau, na perspectiva do "retorno à normalidade constitucional e democrática".

Augusto de Medicis aproveitou a sessão de hoje para reiterar o empenho da comunidade lusófona no desbloquear dos apoios internacionais à Guiné-Bissau, lembrando que, tal como foi decidido em Julho, o presidente brasileiro, Lula da Silva, foi mandatado para em nome da CPLP sensibilizar o Fundo Monetário Internacional e outras instâncias para retomarem a assistência financeira ao país africano.

"A fragilidade económica do país é também a fragilidade política", recordou Augusto de Medicis.

O embaixador da Guiné-Bissau em Lisboa, Joãozinho Veira Có, o mesmo de há uma semana atrás, interveio também na sessão para, sem qualquer referência directa ao golpe de Estado, apelar aos guineenses que "o momento é de acção e não de omissão, de presença e não de ausência, de trabalho em vez de baralho".

A frase "trabalho em vez de baralho" foi recuperada por Mário Cabral que, em nome dos organizadores do evento, dissertou sobre a "tendência para conflitos insolúveis" na sociedade guineense, pedindo depois aos presentes para centrarem o debate dos próximos dias nos temas propostos "deixando a actualidade", ou seja, o golpe de Estado, "para os intervalos".

Ao longo dos cinco dias, os cerca de 300 participantes vão debater temas como "Guiné-Bissau: Que Modelo de Sociedade para o Século XXI", "A Diáspora Guineense e os Desafios do Desenvolvimento" e "As Problemáticas do Desenvolvimento Económico e Social".

No último dia de trabalhos, serão apresentadas, discutidas e aprovadas propostas para estruturar a própria organização da diáspora guineense, já que a Guineaspora ainda não tem personalidade jurídica.

"Não somos nem queremos ser governo nem partido, mas devemos exercer magistratura de influência" na sociedade guineense, disse Mário Cabral, um dos promotores da Guineaspora, ideia surgida há cerca de um ano entre um grupo de guineenses residentes em Portugal.

A sessão inaugural do encontro contou ainda com a presença do reitor da Universidade Lusíada, Martins da Cruz, e do antigo secretário-geral adjunto da extinta Organização da Unidade Africana (OUA, actual União Africana), o moçambicano Daniel António. Ao contrário do que tinha sido anunciado pelos organizadores, o governo português não se fez representar na mesa da sessão inaugural.


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