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  Cultura
Cego utiliza almanaque antigo para orientar agricultura no Fogo
- 10-Dec-2003 - 15:14

Uma atracção inexplicável trouxe às mãos de Lino Lopes folhas de um livro antigo, nos inícios dos anos 60, e a curiosidade e o estudo transformaram-no num especialista na previsão dos ciclos agrícolas da ilha do Fogo, em Cabo Verde.


Por Francisco Fontes
da Agência Lusa

Hoje, apesar da cegueira total que o afecta, ainda consegue orientar os agricultores, através dos astros e pelos conhecimentos que adquiriu, no lançamento das sementes à terra e a prever se darão boa ou má colheita.

Passava o ano de 1963 quando Lino Lopes, conhecido entre os amigos e vizinhos como "Lindo Preto", descobre que o pai da mulher, com quem casara há pouco, utilizava as folhas de um velho livro para enrolar o tabaco que diariamente fumava.

Toma então posse desse livro "todo ratchado", já sem muitas das folhas, e começa a lê-lo e a estudá-lo, concluindo tratar-se do "Lunário Perpétuo", do qual nunca ouvira falar.

Com os anos e as anotações que registava foi formulando deduções e extraindo conclusões para a ilha do Fogo, conseguindo assim, também, preencher os vazios deixados com o desaparecimento de muitas páginas.

"Tentei juntar as páginas, mas muitas já faltavam. Também não tinha dicionário, perguntava às pessoas e ninguém sabia. Tive de puxar pela cabeça e fazer experiências e anotações e vi que as coisas começavam a dar certo", recorda à Agência Lusa.

E assim aprendeu que, em função do dia da semana em que o ano se iniciava, a que correspondia um astro, as colheitas seriam boas, más ou remediadas, e também se era mais beneficiada, ou mais prejudicada, a zona norte ou sul da ilha do Fogo.

Com o tempo, as previsões que fazia na sua casa em Queimada, Monte Largo, começaram a ser respeitadas, mas havia sempre um ou outro que não queria saber das suas observações, fazia troça e acabava por perder as colheitas.

Concluiu que os anos bissextos eram maus, e os que começavam no dia da semana correspondente a Marte e a Saturno eram dos piores. Os melhores anos eram os iniciados sob a influência de Júpiter.

Mesmo que o ano se apresentasse de boa chuva, mas iniciados sob a má influência de um astro, as culturas acabavam por estar sujeitas a pragas, à precipitação fora de época, ou ao efeito destruidor do vento leste ("lestada"), do deserto, recorda.

Segundo as suas previsões, o corrente ano "dá medianinho", um pouco melhor na zona sul, mas o de 2004, que entra a uma quinta-feira, sob influência de Júpiter, será bom. O de 2005, que inicia sábado, com o planeta Saturno, já será de crise.

Quando o ano é mau, a solução é semear pouco, guardar as sementes para o ano seguinte, para não perder as colheitas.

Hoje já não se lembra de muitas das conclusões a que chegou em resultado das anotações feitas através da conjugação dos astros com a observação dos resultados de cada ano.

Tinha chegado a saber quais os anos em que a "lestada" era mais destruidora, ou o tipo de culturas mais propícias para cada ano. A idade e a cegueira, há 16 anos, já lhe fizeram perder muito desse conhecimento.

Em 1987, cegou de um lado. Ao trabalhar como pedreiro, nas obras públicas no Monte Tchica, um fragmento que saltou do batimento do martelo na pedra rasgou-lhe um olho. Sem meios para se deslocar à Cidade da Praia para consultar um médico que vinha de Portugal, não se tratou. E, três anos depois, perde a visão no outro olho.

Na sua casa em Queimada, no interior da ilha, na estrada que liga a cidade de S. Filipe ao vulcão, vai desfiando a quem chega as memórias e os conhecimentos que conserva, porque o seu mundo quotidiano pouco vai além da soleira da porta.

Fala do casamento com uma filha de Mário Montrond e dos fragmentos de um livro, que ainda conserva cuidadosamente, escrito num português arcaico, e que antes pertencera a um antigo emigrante nos EUA, Djon de Lobinha, da zona dos Mosteiros.

Lindo Preto nem sequer sabia que a obra era um breviário de estudo, publicado em Portugal no início do século XVIII, e atribuído ao valenciano Jeronymo Cortez. Apenas concluíra que era antigo e que continha indicações para orientar as culturas.

Conta-se que o almanaque, que trata da natureza dos ventos, previsões, épocas ideais para sementeiras relacionadas com os astros, e de remédios feitos a partir de plantas, chegou a ser utilizado por agricultores de outras ilhas cabo-verdianas.

Inspirado nessa vivência e no conteúdo do almanaque, o compositor cabo-verdiano Vasco Martins chegou a compor e a editar, em 2001, um obra musical intitulada "Lunário Perpétuo".


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