As Notícias do Mundo Lusófono
 Notícias de Angola Notícias do Brasil Notícias de Cabo Verde Notícias da Guiné-Bissau Notícias de Moçambique Notícias de Portugal Notícias de São Tomé e Príncipe Notícias de Timor Leste
Ir para a página inicial de Noticias Lusofonas desde 1997 director: Norberto Hossi
 Pesquisar
 
          em   
 Notícias

 » Angola
 » Brasil

 » Cabo Verde
 » Guiné-Bissau
 » Moçambique
 » Portugal
 » S. Tomé e Príncipe
 » Timor Leste
 » Comunidades
 » CPLP
 
Informação Empresarial
Anuncie no Notícias Lusófonas e divulgue a sua Empresa em toda a Comunidade Lusófona
 Canais


 » Manchete
 » Opinião
 » Entrevistas
 » Cultura
 » Desporto
 » Comunicados
 » Coluna do Leitor
 » Bocas Lusófonas
 » Lusófias
 » Alto Hama

 » Ser Europeu

Siga-nos no
Siga o Notícias Lusófonas no Twitter
Receba as nossas Notícias


Quer colocar as Notícias Lusófonas no seu site?
Click Aqui
Add to Google
 Serviços

 » Classificados
 » Meteorologia
 » Postais Virtuais
 » Correio

 » Índice de Negócios
 
Venha tomar um cafezinho connoscoConversas
no
Café Luso
 
  Cultura
«Portugal não tem estratégia para o Oriente», diz Henrique Senna Fernandes
- 26-Apr-2004 - 11:50

O advogado/escritor Henrique Senna Fernandes, 80 anos, lamenta a "falta de estratégia" portuguesa para o Oriente e sublinha que é a presença portuguesa em Macau que "mantém o segundo sistema" em funcionamento.


Decano dos advogados em Macau, Henrique Senna Fernandes, que se prepara para comemorar 50 anos como causídico, considera a presença portuguesa em Macau como essencial à manutenção do modo de vida local mas não esconde os "receios" que sentiu a poucos anos da transferência da Administração para a China e a mágoa pelo desaparecimento dos símbolos portugueses de Macau.

"Receava não ter este espaço e ambiente, porque nos últimos anos da Administração portuguesa havia os chamados fundamentalistas que falavam contra os portugueses", diz em entrevista à agência Lusa e ao Jornal Tribuna de Macau, justificando assim a atitude de muitas famílias macaenses que, naquele tempo, "compraram casa em Portugal".

Henrique Senna Fernandes diz-se também magoado com a "pressa com que as pessoas se dirigiram para o aeroporto na noite de 19 para 20 de Dezembro de 1999" - logo a seguir à transferência de poderes - deixando para trás uma "sensação de abandono" aos portugueses que optaram por continuar em Macau.

Por isso defende que "Portugal devia olhar mais para Macau em vez de estar "sempre virado para África". Gostava que "viessem mais empresários que se interessassem pela conquista dos mercados da região e que houvesse um maior intercâmbio", diz.

Nascido em 1923, Henrique Senna Fernandes recorda a sua juventude como um período "muito feliz", lembra-se do Macau antigo como uma "cidade muito bonita e arborizada", dos banhos na praia macaense da "Boca do Inferno" e de um "carolo" que levou por "não saber onde ficava a estação de comboios de Mogofores".

Anos mais tarde - quando já em Portugal viajou de comboio entre Coimbra e o Porto - vinha também a desilusão por ter percebido que tinha "apanhado" por uma estação tão insignificante.

Estudou Direito em Coimbra, onde foi amigo e companheiro de Agostinho Neto e Carlos Wallenstein, porque era "o curso mais curto" e percebeu logo no segundo ano que gostava de seguir a profissão de professor.

"Hoje não estou arrependido de ter feito o curso de Direito. Vim para Macau e consegui ter alguma independência económica devido à advocacia mas a minha vocação realmente era para ser professor", diz.

No período da ocupação japonesa, em que a família perdeu a fortuna amealhada ao longo dos anos, recorda-se de ter passado frio e fome e de ter visto a administração portuguesa ignorar muitas famílias macaenses apesar do apoio que deu a muitos súbditos britânicos.

Uma altura também determinante para Henrique Senna Fernandes não ter abandonado o curso de Direito para se dedicar àquilo que verdadeiramente gostava.

""Como já tinha 24 anos e tinha esperado cinco anos para ir para Portugal não podia recuar", explica.

Como escritor, Henrique Senna Fernandes está a participar numa iniciativa conjunta do diário Ponto Final e da editora Livros do oriente escrevendo nas páginas do jornal "A Noite nasceu em Dezembro" e a ultimar o "Pai das Orquídeas", um romance de "que muitas pessoas troçam imenso porque se trata de um livro prometido há muitos anos".

Mas o escritor não desarma e explica a razão do atraso: "Um escritor deve ter um plano mas a certa altura, quando já há tantas personagens, cria mais uma personagem e começa a justificar os motivos da sua presença na história. Tinha uma personagem feminina, mas de repente criei mais duas figuras e pronto... atrasou tudo".

Do seu passado, apesar de algumas dificuldades, Henrique Senna Fernandes "não mudava nada" mas quanto ao futuro, especialmente de Macau, teme que o desenvolvimento e a abertura de novos casinos destruam a identidade do território embora acredita que, se a cidade "resistiu 400 anos", poderá continuar a resistir a mais este passo de desenvolvimento.

Como natural de Macau que tem como "pátria todo o mundo português", Henrique Senna Fernandes não resiste a picardias e sublinha com um sonoro "vão para o raio que os parta" quando confrontado com declarações de macaenses imigrados que sustentam que a salvação da cultura macaense está na diáspora.

"Macau é que tem de congregar todos os macaenses. Não são só os de São Francisco, Toronto ou Lisboa, mas todos. Macau representa todos os macaenses e que fique bem claro que Macau é a casa-mãe para todos os que estão espalhados pelo mundo", afirma.


Marque este Artigo nos Marcadores Sociais Lusófonos




Ver Arquivo


 
   
 


 Ligações

 Jornais Comunidades
 
         
  Copyright © 2009 Notícias Lusófonas - A Lusofonia aqui em primeira mão | Sobre Nós | Anunciar | Contacte-nos

 edição Portugal em Linha - o portal da Comunidade Lusófona Criação e Alojamento de Sites Algarve por NOVAimagem