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  Entrevista
Função social da imprensa deve ser discutida pela sociedade
- 23-Jun-2004 - 14:34

A necessidade de se proceder a uma análise sobre a real função da imprensa angolana pela sociedade civil foi defendida em Luanda pelo secretário-geral da União dos Jornalistas Angolanos (UJA), Manuel Miguel de Carvalho "Wadijimbi".


Em entrevista terça-feira, ao programa "Café da Manhã", da Rádio Luanda Antena Comercial (LAC), Wadijimbi salientou: "os jornais privados vieram dar um grande contributo à actividade. Permitiram uma maior diversidade de opiniões e têm estado a jogar um papel importante, mas devemos discutir a função social da imprensa da mesma maneira que se discutem outros problemas que afligem a sociedade."

Considerou positivo o surgimento dos órgãos privados por produzirem um maior pluralismo de informação no país, mas acrescentou que se pode fazer melhor.

"A classe jornalística deve fazer uma reflexão. Estamos a enveredar para um jornalismo que já não existe. um jornalismo dos anos 1800...", acrescentou.

Na sua óptica, a maior parte dos profissionais da classe não tem aplicado, na prática aquilo que aprendeu na escola, daí a necessidade de se colocar o "jornalismo nos seus carris".

Convidado a comentar as declarações do Presidente da República sobre a actuação de alguns órgãos de imprensa privados e acerca das acusações de que aquele é alvo, Wadijimbi referiu não ter sido intenção do estadista ser pejorativo, mas alertou que Angola é o único país do mundo onde não se respeita ninguém.

"Não há um jornal no mundo que esteja a ofender o presidente todos os dias. Só em Angola é que estamos a seguir para esta via.", afirmou.

"Os colegas que estão a frente dos órgãos privados devem fazer uma reflexão, porque estamos num país em que é preciso transmitir uma mensagem de moral e de educação cívica."

Em certa medida, estamos a transmitir uma mensagem negativa à nova geração. Nós funcionamos como árbitros da sociedade para permitir que as coisas funcionem bem e não haja corrupção, mas é preciso que venhamos com factos credíveis de modos a valorizar e moralizá-la.

Wadijimbi aponta a prática do jornalismo de investigação como forma de se ultrapassar este problema, pois o aumento do número de denúncias de casos de corrupção e outras situações irregulares representam a falta deste tipo de exercício profissional.

Interrogado se existe incompatibilidade de ter simultaneamente o cargo de director-geral de um órgão de imprensa e de membro do Comité Central do partido no poder, Manuel de Carvalho Wadijimbi afirmou serem conciliáveis, referindo que "sempre soube estabelecer a diferença entre o cargo de director-geral e membro do Comité Central do MPLA".

"Em Angola, os órgãos apartidários que eu conheço só são as forças de defesa e segurança. A luz da legislação só os elementos incorporados no Exército e na Polícia é que não podem exercer outras actividades. Não está escrito que os órgãos de comunicação social sejam apartidários", realçou.

Para exemplificar o seu discurso, Wadijimbi citou o caso do director-geral da Agência Portuguesa de Notícias (Lusa), Pedrosa Lara, que simultaneamente era do Partido Socialista Português.

Fonte: Angop


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